Ontem foi celebrado o Dia do Escritor, e uma das formas de se comemorar a data é estimular a leitura infantil. Afinal, este hábito deve ser incentivado desde a infância, garantindo não só a formação de leitores, mas também a abertura de um universo de informação e imaginação nos pequeninos.
“Ler histórias para uma criança, compartilhar as emoções e os mistérios contidos no texto estimulam a familiaridade com os livros, contribuem para o desenvolvimento do gosto pela leitura e ampliam as possibilidades de vivência de mundo”, explica Maria Alice Santos, gerente de Educação na Fundação Vale, que desenvolve o projeto “Rodas de Conversa”, levando autores de livros infantis para encontros sobre com professores e alunos das escolas públicas em diversos municípios do país.
Mas não é só na escola que a criança deve ter contato com os livros. Em casa, o gosto pela leitura também pode e deve ser estimulado, desde os primeiros meses de vida, com livros feitos com material apropriado para a manipulação infantil. Além de ajudar a desenvolver o domínio da língua portuguesa, a leitura pode aproximar pais e filhos, proporcionando momentos de agradável convivência familiar.
“Procure criar um cantinho de leitura confortável, bastando algumas almofadas e uma pequena estante ou caixa para os livros, que devem ser sempre atualizados de acordo com a idade da criança e seus interesses. Leia com entusiasmo e explore os detalhes da história, permitindo que a criança faça suas interferências”, recomenda Maria Alice Santos.
Como base no trabalho das “Rodas de Conversa” e na opinião de alguns autores envolvidos no projeto, a Fundação Vale preparou uma lista com 10 livros brasileiros imperdíveis para a formação literária das crianças e jovens. Nessa relação, autores clássicos como Lygia Bojunga Nunes, Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Márcio Vassalo, Marina Colassanti, Rogério Andrade Barbosa, Bartolomeu Campos de Queirós, além de André Neves, Eucanaã Ferraz e Sonia Rosa. Mas cabe lembrar que a lista não é limitadora, e autores como Júlio Emílio Braz, Daniel Munduruku, Eva Furnari, Roseana Murray, Sandra Ronca, Ziraldo, Roger Mello, Marília Piríllo, Ninfa Parreiras, Anna Cláudia Ramos também são sempre boas leituras. Escolha um bom livro e leia para seu filho. Sem dúvida, é essa melhor homenagem que um escritor pode receber.
Veja as indicações do projeto “Rodas de Conversa”, da Fundação Vale
“A Bolsa Amarela”, de Lygia Bojunga Nunes.Este livro é um clássico da literatura infanto-juvenil. O romance conta a história de uma menina que entra em conflito consigo mesma e com a família ao reprimir três grande vontades que ela esconde em uma bolsa amarela: a vontade de crescer, a de ser garoto e a de se tornar escritora.
“Romeu e Julieta”, de Ruth Rocha.Um reino colorido e cheio de flores, onde as coisas são separadas pelas cores. Tudo muito lindo para cheirar e ver, mas quem mora ali nem pode se conhecer! Será que a cor das asas de Romeu e Julieta vai mesmo separar essas crianças-borboletas?
“Severino Faz Chover”, de Ana Maria Machado.Severino não tinha nada demais, era parecido com muitos outros. Mas onde ele morava não era muito parecido com outros lugares. Era seco. A terra era seca, cheia de poeira. Então Severino chamou os amigos e começou a pedir um pouco de chuva para as nuvens.
“Obax”, de André Neves.O livro conta a história de Obax, uma criança de imaginação fértil, que inventava muitas histórias, que de tão criativas, crianças e adultos não acreditavam. Então, ao tropeçar numa pequena pedra em forma de elefante, a menina teve uma grande ideia. Partiria pelo mundo afora. Sua busca era para provar a todos que sua história era verdadeira.
“Poemas da Iara”, de Eucanaã FerrazNesse livro, o primeiro do poeta Eucanaã Ferraz dedicado ao público infanto-juvenil, é possível conhecer a história da Iara, essa encantadora sereia, em versos e nas belas ilustrações de Andrés Sandoval.
“Minha Princesa Africana”, de Márcio Vassalo.É, antes de tudo, uma história de amor: um jovem brasileiro e sua grande paixão por Marinela, uma princesa africana, de Angola. A relação dos dois, vivida à distância, através de longas cartas e telefonemas, nos remete a um tempo longe das tecnologias atuais. Até que um dia, por haver distância demais entre eles, esta história tem um fim.
“Breve História de um Pequeno Amor”, de Marina Colassanti.Vencedor do Prêmio Jabuti 2014, o livro conta a história de uma escritora que encontra um ninho com dois filhotes de pombo. Por meio de uma prosa poética, o leitor compartilha as hesitações e os sucessos de uma história de crescimento e desenvolvimento. Como o próprio nome da obra diz, esta é uma história de amor, mas também de ciúme, aflição, paciência, saudade, preocupação e orgulho.
“Contos ao Redor da Fogueira”, de Rogério Andrade Barbosa.“Contos ao redor da fogueira”, são dois mitos de origem africana que convidam o leitor a romper as fronteiras da imaginação. Nas duas histórias que compõem este livro, o autor se inspirou em fatos acontecidos e transmitidos de geração em geração, tecendo um texto envolvente em que os limites entre o real e a fantasia são tênues.
“Palmas e Vaias”, da Sonia Rosa.Nesta história, a personagem Florípedes experimenta as mudanças da adolescência: um novo corte de cabelo, uma dor de dentes, os peitos que crescem e o corpo que estica de uma hora para outra. Além disso, Florípedes enfrenta mais reviravoltas: ela muda de bairro e muda de escola. Precisa, então, fazer novos amigos e conhecer os novos professores, mas se depara com as diferenças e, para superá-las, decide optar pelo amor, pelo carinho e pela atenção de sua mãe.
“Onde Tem Bruxa Tem Fada”, de Bartolomeu Campos de Queirós.Nesta história, o leitor irá se deparar com a decepção de Maria do Céu, uma fada que vem à Terra e descobre que o consumismo tomou conta de todos e que não há mais lugar para o sonho e a fantasia... Uma fábula cheia de fascínio, mas que leva a pensar nas convenções desumanas impostas pelo progresso, no sacrifício do amor e da liberdade em troca do conforto material.
(Diário do Pará)
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