É a primeira vez que eles visitam um museu. Olhos atentos, muita curiosidade e uma ideia um pouco distante do que realmente pode se encontrar em um espaço destinado à arte. Esse é o clima do curta “Por Falar em Arte e Museu”, que conta a história da primeira visita de um grupo de adolescentes e pré-adolescentes de uma comunidade do bairro do Guamá a uma exposição de arte no Museu do Estado do Pará.
O documentário paraense foi produzido pela UFPA, de forma coletiva, a partir de uma oficina de criação audiovisual. Ele está entre os filmes selecionados pela Mostra Escolas de Cinema do Centre International de Liaison des Écoles de Cinéma et Télévision (Ciba-Cilect), que integra a programação do 10º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo, que acontece esta semana.
A emoção de chegar a um festival que tem como homenageados grandes nomes como Hector Babenco e Lírio Ferreira, além de filmes de diversos países, faz com que uma ideia que nasceu de uma inquietação tenha o reconhecimento que merece. “Por Falar em Arte e Museu” surgiu na oficina ministrada pelos cineastas Bruno Polidoro e Jéssica Luz, dentro do projeto “O Ensino em Sala de Arte e Ensaio” da UFPA. Nela, alunos de graduação e pós-graduação da universidade, assim como professores da universidade e de escolas públicas, mergulharam no mundo do audiovisual a ponto de quererem fazer seu próprio curta.
O roteiro e o argumento são das professoras do Instituto de Ciências da Arte da UFPA Ana Cláudia Melo, do curso de Cinema e Audiovisual, e Carmen Silva, do curso de Museologia, ambas coordenadoras do projeto.
O filme reúne elementos de documentário e ficção e lança reflexões sobre arte e museologia. Segundo Ana Cláudia Melo, levar jovens da periferia de Belém ao museu é quebrar barreiras e construir uma história de descobertas e de bons encontros.
“O público que participou dessa experiência de visitar o museu chegou lá e percebeu que era uma outra coisa, algo fascinante, então o museu tem que convidar mais, cativar. A experiência do curta mostra isso. Algumas pessoas achavam que o museu era um lugar ultrapassado, de coisas antigas. O curta traz esse debate e ajuda a gente a não ficar no senso comum, além de ser uma oportunidade da universidade de produzir e compartilhar conhecimento”, diz Ana Cláudia, que se diz gratificada pelo filme ter chegado ao festival.
“Nossos museus estão pouco acessíveis. É preciso repensar todas as práticas para torná-los mais atraentes, especialmente para esse público jovem. Infelizmente, os espaços de artes, de um modo geral, estão à parte desse público”, analisa a professora.
(Diário do Pará)
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