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Jornalismo cultural em análise

A crítica de arte no jornalismo cultural foi o tema mais quente da noite do evento “Gotaz on the Table”, promovido pelo site Reduto Cult e a Galeria Gotazkaen, na última quarta-feira, 5, atraindo um público formado principalmente por jovens estudantes e p

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A crítica de arte no jornalismo cultural foi o tema mais quente da noite do evento “Gotaz on the Table”, promovido pelo site Reduto Cult e a Galeria Gotazkaen, na última quarta-feira, 5, atraindo um público formado principalmente por jovens estudantes e profissionais das áreas de jornalismo e artes. A mesa de debate foi composta pela jornalista e produtora Luciana Medeiros, do site Holofote Virtual, a editora responsável pelo caderno VOCÊ, do DIÁRIO, Esperança Bessa, a jornalista Ana Paula Andrade, diretora do programa “Circuito”, da TV Cultura, e o ator, diretor teatral e jornalista Leandro Oliveira.

Sob a mediação do jornalista Felipe Jailson, cada convidado da mesa teve a oportunidade de mostrar um pouco de seu trabalho atual e comentar da importância de a cidade contar com tantas formas de difundir sua cena cultural, com destaque para um jornalismo que consiga ir além da agenda de eventos. “A gente precisa ter pautas variadas e mais espaços para difundir isso. Quando a gente tem o caderno VOCÊ, o Holofote, outros blogs, o ‘Circuito’, diante do mesmo tema, a gente ganha mais desdobramentos”, afirmou Luciana.

Esperança mostrou que apenas metade do que é destaque no caderno cultural do DIÁRIO é agenda cultural. “E isso já me deixa satisfeita. Artistas reclamam de os jornais se pautarem pela agenda cultural, mas, quando seu show, sua exposição, seu lançamento não sai no jornal do dia, eles reclamam também. Afinal, jornal impresso é história, é o que vai para a biblioteca como registro do que ocorreu naquele dia. Acho que o ideal é o equilíbrio e isso nós conseguimos fazer no VOCÊ: de janeiro a julho deste ano, apenas 56% de nossas capas foram baseadas em agendas culturais. A outra metade foi de pautas próprias, algumas ligadas a algum tipo de factualidade e outras totalmente desconectadas de data, apenas com foco no artista e na obra”, disse.

O “Circuito” também foi apresentado como um projeto que destina um espaço menor para a agenda de eventos, indo mais a fundo na produção artística e no artista em si. Já Luciana contou que, para atender à demanda de agenda, além do que produz para o Holofote Virtual, a solução foi criar uma pagina homônima no Facebook apenas para este fim.

FAÇA VOCÊ MESMO

E claro que, diante de quatro pessoas com experiência neste cenário de jornalismo e artes, também sugiram pedidos para que os convidados analisassem as quantas anda nossa produção artística e se a ausência de espaços culturais é preocupação entre quem está na produção midiática. “O que agente percebe, nas artes em geral, é que tem predominado o ‘faça você mesmo’. E as matérias, sempre que cabe, puxam isso também, que os caras estão fazendo arte na praça porque não tem espaço, que com um apoio maior podiam buscar um público maior”, destacou Esperança. “Não estamos em um marasmo. Tem muita gente produzindo arte, e tem muita coisa boa a ser vista”, completou Leandro.

Luciana citou o Circular Campina Cidade Velha, que teve início com seis pessoas e hoje é realizado com regularidade, envolvendo diversos espaços culturais e se ampliando para os bairros da Campina e Reduto. “O [teatro] Cuíra foi um grande ato de coragem”, elogiou, citando outro exemplo de aposta arriscada promovida pela sociedade civil e com bons resultados. “As políticas públicas também vêm do empresário, do público, não devemos só esperar do poder público. Por exemplo, não adianta o Pavulagem ter aquele monte de fãs se na hora do financiamento coletivo ninguém dá um real. Somos todos agentes políticos. E nós, no jornal, estamos tentando fazer nossa parte, que é essa provocação”, comentou Esperança.

(Diário do Pará)

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