A fluidez das conversas e trocas de experiências entre fotógrafos paulistas e paraenses resultou na exposição “Para Ver Se o Tempo Volta”, em que quatro fotógrafos de Belém exibem trabalhos na Fauna Galeria, em São Paulo, com curadoria de Mariano Klautau Filho.
Na mostra, as imagens de Alberto Bitar, Ionaldo Rodrigues, Keyla Sobral e Octavio Cardoso remetem ao domínio do ser humano sobre o tempo, com 20 obras que promovem diálogo entre a fotografia e outros suportes, experimentando o tempo na construção da imagem, num exercício ficcional.
O evento surge de uma parceria entre a Fauna e a Kamara Kó, de Belém, que representa os artistas paraenses. A sócia-fundadora da Fauna, Carolina Prado, conta que desde o surgimento do espaço houve a ligação com os fotógrafos paraenses. “Nossa primeira exposição foi do Alexandre Sequeira. Logo depois, convidamos o Mariano Klautau para expor e essa ligação se tornou ainda mais forte. Em seguida, assisti a uma projeção que ele [Mariano] fez no Paraty em Foco sobre a produção paraense e foi aí que senti ainda mais essa efervescência. Então sugeri a ele fazer uma exposição ‘paraense’. Depois comecei a conversar com a Makikó Akao [responsável pela Kamara Kó] sobre uma parceria. Essa conversa vem acontecendo há uns três anos, até que resolvemos fazer”, diz.

(Foto: Ionaldo Rodrigues)
Cada olhar traz uma visão diferente de um tema que sempre foi motivo de discussão na vida humana. Pensar o tempo, e de uma forma estética e sensível, só reforça o quão relativo pode ser esse conceito, que não tem base em medida alguma.
As imagens apresentam tempos estáticos e imobilizados, imortalizados por Octavio Cardoso, ou o registro da sua velocidade, do passar dos milésimos de segundos registrados por Alberto Bitar. Seja conflito ou comunhão, as fotografias permeiam esses universos íntimos e ao mesmo tempo universais que desafiam essa arte.
A FOTOGRAFIA ALÉM DO SUPORTE DIMENSIONAL

(Foto:Alberto Bitar)
Para Carolina Prado, da Fauna Galeria, a escolha pelos quatro artistas vai além do desejo de dar espaço à criatividade paraense. “Tenho buscado mostrar produções que tragam a fotografia além do bidimensional, artistas que utilizam a fotografia como suporte mas que exploram as formas de apresentá-la. Acho muito interessante e importante para o crescimento e amadurecimento do universo da fotografia. A questão do tempo permeia todos os trabalhos, mas cada um tem uma questão muito própria e vê-los juntos enriquece os diálogos que existem entre eles”, comenta a anfitriã da exposição. Carolina também acredita que a troca cultural é rica para os próprios paulistas, como uma exploração além da barreira do estereótipo. “Cada vez mais os artistas paulistas estão conhecendo a produção paraense e descobrindo o quão rica é. Também através do Prêmio Diário Contemporâneo de Fotorafia [promovido pelo DIÁRIO DO PARÁ] muitos artistas de São Paulo estão indo a Belém. Para o público em geral acho que existe uma curiosidade, muita gente não conhece nada, outros conhecem um pouco da geografia e da gastronomia do Pará” finaliza Carolina. A exposição foi aberta na última quarta e fica disponível para visitação até o dia 19 de dezembro. (Gustavo Aguiar/Diário do Pará) |
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