E a gente continua. É a mosca da sopa”, responde rapidamente o cantor Jerry Adriani após ser perguntado sobre os seus 52 anos de carreira, referindo-se à persistência do inseto em pousar no alimento, e a sua insistente busca por manter-se contemporâneo, considerando os vieses de seu trabalho ao longo do tempo. No início gravou músicas italianas, mas foi só após o estouro dos grupos do movimento da Jovem Guarda que o cantor fez sucesso. Uma reunião dessas cinco décadas corridas desde então ele apresenta hoje, em Belém, em show da Assembleia Paraense.
Jerry considera um grande desafio propor trabalhos musicais com o crescimento da distribuição massiva de outros ritmos na indústria cultural brasileira. Ele relembra que há muito não era assim. “Neste momento o Brasil tem uma infinidade de nichos, de estilos. Antigamente só tinha a Bossa Nova, o samba, a Jovem Guarda, e as músicas regionais, como o forró no Nordeste, que hoje já está espalhado pelo Brasil inteiro. Então temos que ir descobrindo alguma forma de estar presente no meio disso”, opina o cantor, em entrevista exclusiva ao Você por telefone.
Para demarcar este território, a presença do artista em grandes palcos até hoje se dá pela nostalgia dos velhos tempos, com um resgate dos clássicos do iê-iê-iê para estimular a memória musical dos fãs. Ele resgata ritmos que, independente de não estarem nas paradas de sucesso hoje, são muito lembrados e conhecidos por terem sido muito executados outrora. O cantor considera a estratégia uma tendência mundial, com os revivals de artistas consagrados no mundo da música.
Esse resgate faz com que Jerry Adriani mantenha uma relação estreita com alguns públicos. É o caso, por exemplo, da capital paraense, que ele se mantém bem próximo desde que descobriu um caso curioso. “Desde a época da Jovem Guarda, Belém é uma das cidades que mais me prestigia e tem vários programas de rádio de músicas da Jovem Guarda. O público é muito fiel e sinto que essa relação influenciou a geração mais nova. Tem uma música que gravei nos anos 1980, ‘Caso Passageiro’ que descobri que até hoje é muito tocada aí”, comenta.
NOVAS VERSÕES
Para comemorar as cinco décadas de carreira, o cantor gravou o disco “Outro”, uma parceria com o Canal Brasil e com produção do paraense Billy Blanco. “Gravei ‘Georgia On My Mind’ e outras músicas românticas. No Brasil tem isso de alguém não querer gravar, pois outro cantor já gravou, mas lá fora se uma música é boa todos querem cantar e fazer a sua versão. Também regravei músicas já conhecidas da minha carreira e outras inéditas”, diz, citando dentre elas “Medo da Chuva”, que Raul Seixas compôs especialmente para a sua voz, mas à época Jerry recusou-se a gravar, por achá-la ofensiva aos padres. “Eu era muito carola, mas agora tudo mudou e eu mudei também”, desculpa-se.

O cantor no início da carreira, em plena era da Jovem Guarda, quando fazia sucesso cantando iê-iê-iê. (Foto:divulgação)
O repertório brasileiro ainda é composto por “A Medida Da Paixão”, de Lenine e Dudu Falcão; “Resposta Ao Tempo”, de Aldir Blanc e Cristóvão Bastos; e “Coração Ateu”, de Sueli Costa; a americana “You’ve Changed”, de Carl Fisher e Bill Carey; e as italianas como “Quando”, de Pino Daniele. Jerry ainda mostra sua versão para canções francesas como “L’amitié”, de Gerard Bourgeois e Jean Max Rivière; e “Hier Encore”, de Charles Aznavour.
REVIVAL
Show de Jerry Adriani
Quando: Hoje, 21h
Onde: Salão de festas da sede campestre da Assembleia Paraense (Avenida Almirante Barroso)
Ingressos: R$ 300 (mesa para 4 pessoas), à venda no próprio clube
Classificação: 18 anos
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar