Enquanto em Belém as escolas de dança se dividem entre o método russo de balé e o método inglês, aplicado em escolas como Ballare, Clara Pinto e Ana Unger, a Escola Cubana de Balé Clássico foi introduzida no último mês de abril na Escola de Dança Ribalta, em Ananindeua. O método, adaptado às condições físicas, à musicalidade e à expressão corporal latina, chegou oficialmente ao Brasil há 20 anos, com a bailarina brasileira Paula Castro. Ela própria esteve em Belém com a filha, Juliana Pires, para realizar as avaliações dos alunos e professores da escola paraense – o primeiro passo para a implementação do método de ensino.
Considerada uma das mais completas do mundo, a Escola Cubana de Balé é o resultado de um profundo estudo realizado por seus fundadores, os irmãos Fernando e Alberto Alonso, acerca das características das demais escolas existentes, reunindo, assim, a agilidade dos pés da escola italiana; a sobriedade e o trabalho de braços da escola inglesa; a elegância da francesa; e o virtuosismo da russa.
“A linguagem do balé clássico é universal. Aqui nós não estamos propondo nenhuma novidade a não ser o funcionamento do programa que tem um resultado rápido, positivo e muito mais artístico. A escola cubana é muito virtuosa porque ela trabalha com a individualidade do bailarino, então a gente pode explorar em cada aluno, em cada profissional, aquilo que ele tem de melhor”, explicou Paula quando esteve em Belém.
Com a implantação, o Pará se juntou a outros sete estados que já atuam com o método, entre eles Rio Grande do Sul, Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco. “Muito se propagou que para o balé clássico você precisava ter um biótipo europeu, precisava ser longilíneo, ter uma série de coisas que eram comuns ao continente onde o balé clássico surgiu. Já o Ballet Nacional de Cuba procura um biótipo que seja latino, algo que se assemelha muito com nós brasileiros. É a possibilidade de dançar com o corpo que nós temos e não com aquilo que alguém instituiu. Essa é a principal ideia”, defende a bailarina Mayrla Andrade, da Escola Ribalta.
Paula Castro tem duas academias em São Paulo que completam 40 anos em 2016 e se dedicam a representar e implantar o método cubano no Brasil. “Quando nossos alunos chegam à faixa semiprofissional, sempre procuramos levá-los a competições. Já tivemos alunas com bolsa para Europa, aluno que foi para grandes companhias, e você percebe como o desenvolvimento deles é mais rápido”, afirma Juliana, que tem formação como bailarina e professora pela Escola Nacional de Ballet de Cuba, além de atuar como coach de alunos semiprofissionais para participações em festivais nacionais e internacionais.
IMPLANTAÇÃO
A chegada do método à escola paraense vem de um longo processo que ainda deve seguir pelos próximos anos. Mayrla foi quem primeiro repassou os conhecimentos necessários aos professores de sua escola, que junto aos alunos passaram pela avaliação de Paula e Juliana.
Durante a estadia das duas por aqui elas classificaram e nivelaram os alunos para agrupá-los nas séries correspondentes ao método. Foram cerca de 10h de avaliação, passando de turma em turma e levando em consideração o desenvolvimento cognitivo, memória, físico, artístico, entre outros elementos. Após essa primeira etapa de avaliações com as professoras, a Escola de Dança Ribalta passou a oferecer em Belém o método cubano para o ensino da técnica de balé clássico, e a participar da apresentação anual de exames de avaliação dos alunos realizado pelas avaliadoras vindas diretamente da Escuela Nacional de Ballet de Cuba (ENBC). Os alunos aprovados recebem certificação internacional.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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