Foi a partir de uma D.R. – a famosa discussão de relacionamento entre casais – que Cleidson Lima, jornalista, decidiu criar, em 2011, o Museu do Videogame Itinerante, em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. Ele já tinha mais de 200 consoles em casa e a sua esposa deu um ultimato: ou ele abriria um museu ou ia embora com os aparelhos. Ele acatou a primeira ideia e reuniu os seus videogames para apresentar para o público. E o sucesso foi tamanho que apenas quatro anos depois passou a rodar o Brasil em um caminhão, por meio de uma exposição itinerante. As peças podem ser conferidas a partir deste sábado, no Boulevard Shopping, em Belém.
Este é o primeiro museu do ramo registrado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que em 2015 considerou a iniciativa o museu mais visitado do país, com mais de 5 milhões de visitantes. Em 2014, o projeto recebeu o prêmio do Ministério da Cultura como o museu mais criativo do país. Em janeiro deste ano, o casal foi convidado para participar do Museum Connections, em Paris. A agenda já está lotada para percorrer capitais até setembro de 2017.
O museu é itinerante, mas o casal costuma passar apenas 10 dias em cada cidade, para voltar a Campo Grande e cuidar das filhas, de 12 e 5 anos. “Começamos com um evento, que realizamos por quatro anos, e surgiu oportunidade de expandir. E só tinha uma forma: no caminhão mesmo”, conta o criador.
Para vir a Belém, teve um fator decisivo para Cleidson: foi aqui que ele ganhou o seu primeiro videogame, em meados da década de 1980, quando o pai, que era militar, passou pela capital.
“Meu primeiro videogame foi comprado aqui e, para mim, foi aqui que a história do museu começou. Eu tinha 13 para 14 anos e comecei com essa paixão, que nunca mais parou. Na época, meu pai me deu de presente um Super Game da marca CCE, que era um clone do Atari e custava menos da metade deste. Mas era o que meu pai podia pagar. Não é o mais raro nem o mais o caro, mas o que tem o maior significado para mim e ele está aqui na exposição”, conta Cleidson Lima.
Além dos 200 consoles, a mostra tem mais de seis mil jogos e os visitantes também podem relembrar ou experimentar como se joga em aparelhos dos mais antigos aos mais novos, o como Telejogo Philco-Ford (1977), Atari 2600 (1976), Nintendinho 8 bits (1985), Master System (1986), Mega Drive (1988), Super Nintendo (1990), Nintendo 64 (1996), Game Cube (2001), Sega Dreamcast (1998), Xbox (2001), Playstation 1 (1994), Playstation 4 (2013) entre outros. Além destes, está em exposição também o primeiro videogame feito nos Estados Unidos, que o jornalista adquiriu por “preço de banana”.
“Esse videogame custa uma fortuna, cerca de 25 mil dólares, e só existe um exemplar nos EUA. Mas eu tive um pouco de sorte. Estava na Califórnia e entrei num brechó de eletrônicos e ele estava lá, e paguei apenas 15 dólares. Essa é a graça de colecionar: é fazer esses garimpos. Sempre digo que esses tesouros estão nos guarda-roupas das avós e mães, que vivem aquele dilema de não querer jogar no lixo essas peças, porque lembram os filhos”, comenta o jornalista, que, por ser especializado em tecnologia, viaja constantemente para os EUA, além de Japão e países da Europa, para conferir os lançamentos.
A exposição também tem outras raridades, como o Coleco Telstar Combat, de 1977, sobre tanques de guerra, e o Action Max, de 1987, que trazia jogos de tiro em fitas de videocassete. O único videogame criado pela Apple, em 1995, chamado de Bandai Pip Pin Atmark, também integra a mostra. Todos os itens trazem informações com nome, data de lançamento e detalhes técnicos dos videogames. Alguns consoles antigos trazem também vídeos com comerciais de época e detalhes de como funcionavam.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar