Ele é um dos bastiões da axé music, responsável por hits dos anos 1980. Quem não lembra dos versos de “Haja Amor”? “Eu queria ser uma abelha pra pousar na tua flor...”. Pois o baiano Luiz Caldas foi buscar inspiração para o seu novo trabalho bem longe das folias momescas de Salvador. Caiu no embalo da guitarrada e acaba de lançar um álbum somente com guitarradas, disponível para download em seu site, onde faz referências e reverências aos mestres Vieira, Aldo Sena, Curica, Marinho, Solano, Manoel Cordeiro, Barata (o guitarrista Evandro Cordeiro, irmão de Manoel), além de Elaine Ventura, Félix Robatto e Pio Lobato.
Ele diz que é uma homenagem ao Pará e aos mestres do gênero, e que não se furtou em realizar o trabalho, a despeito das críticas ou do bairrismo regionalista. Enquanto multi- instrumentista, Caldas diz se sentir capaz de compor o que quiser, sobretudo se houver paixão pelo ritmo. “Você imagina, já fiz álbum até de heavy metal!”, comenta, brincando.
O desejo de produzir “Guitarradas”, título do disco, vem de sua memória afetiva e da forte influência que os ritmos paraenses tiveram, e ainda têm, em sua carreira. Ele recorda que o pai ouvia Pinduca e tão logo ele se tornou músico de vez, tratou de adquirir a coleção completa do rei do carimbó. Como guitarrista, instrumento pelo qual é mais reconhecido, Luiz Caldas voltou-se a estudar a maneira como a guitarra é tocada por aqui tanto por Mestre Vieira, considerado o criador do gênero, quanto Félix Robatto, por exemplo, de uma geração contemporânea.
“O Pará tem a brasilidade na alma, tem isso enraizado. E a música de vocês é muito forte. Tenho contato desde que me entendo por gente, papai ouvia Pinduca, e eu, como sou guitarrista, sempre gostei também de Vieira e comecei a pesquisar os mais novos. O produtor Carlos Eduardo Miranda também me mostrou algumas coisas. Fiz o disco pelo amor à música de vocês. E queria fazer algo à altura, não uma faixa, uma homenagem simples, mas um disco inteiro”, diz.
Mesmo sem jamais ter visto um show de guitarradas ao vivo, Luiz Caldas diz que fez pesquisas na internet para ver os mestres e tentar entender a maneira de tocar de cada um, observando ainda a evolução do ritmo e a incorporação de elementos eletrônicos, num movimento mais recente.
Mesmo com os acordes típicos da guitarrada, é possível notar ainda fortes marcas dos instrumentos percussivos – mais comuns no axé music – nas músicas compostas para o disco. Ele próprio admite que é natural que as suas influências se fundam, porém preza pela preservação do som original.
“Tive o cuidado de ouvir o som, a raiz de onde tudo foi tirado. E para quem ouve, modéstia à parte, parece que são pessoas da sua terra [do Pará] tocando. Todo o processo foi muito cuidadoso, pois às vezes você quer retratar determinada coisa e foge, por não estudar direito e esquecer a raiz e falar só da folha. Escutei os antigos e depois os mais novos, que já usam a tecnologia. Não se pode comparar o timbre de Mestre Vieira com o de Félix Robatto, mais atual, o que é natural. Isso de forma nenhuma me fugiu. A pesquisa ajuda a saber o percentual para que não se mate a raiz”, comenta.
Caldas garante que seu público gostou e recebeu comentários positivos a respeito do trabalho. A gente as escuta (as linhas melódicas) e fica repetindo os acordes na cabeça”, escreveu o colunista do DIÁRIO, Edgar Augusto, sobre o trabalho.
Guitarristas paraenses elogiam trabalho
Para Pio Lobato, responsável pelo projeto “Mestres da Guitarrada”, lançado em 2003 e considerado o precursor do boom do gênero, Luiz Caldas está atento aos movimentos musicais brasileiros e movido por sua curiosidade habitual, decidiu experimentar.
“Ele sempre foi versátil e explorou áreas desconhecidas dentro da música, além de ser tecnicamente muito bom e inventivo. A guitarrada é uma expressão musical brasileira, recém-descoberta, é a grande novidade nacional, como música instrumental da região Norte do país. E o Luiz Caldas é um cara atento, ele percebeu isso e gravou o disco”, comenta. Félix Robatto acredita que Luiz Caldas foi muito feliz em homenagear os guitarristas e, enquanto pesquisador de músicas amazônicas, diz que a criação do axé tem forte ligação com a lambada paraense.
“Ele se apropriou da melhor forma, no bom sentido e, como grande guitarrista, conseguiu executar muito bem os acordes, típico de quem conhece o assunto. Por estar metendo a mão nesse vespeiro, para não arriscar, resolveu homenagear, por respeito ao gênero que ele está mexendo, que é daqui. E ele, como criador do axé, tem grande influência das lambadas. Ele entende muito de música, e não foi algo aleatório”, opina o guitarrista paraense.
Guitarristas paraenses elogiam trabalho
Para Pio Lobato, responsável pelo projeto “Mestres da Guitarrada”, lançado em 2003 e considerado o precursor do boom do gênero, Luiz Caldas está atento aos movimentos musicais brasileiros e movido por sua curiosidade habitual, decidiu experimentar. “Ele sempre foi versátil e explorou áreas desconhecidas dentro da música, além de ser tecnicamente muito bom e inventivo. A guitarrada é uma expressão musical brasileira, recém-descoberta, é a grande novidade nacional, como música instrumental da região Norte do país. E o Luiz Caldas é um cara atento, ele percebeu isso e gravou o disco”, comenta. Félix Robatto acredita que Luiz Caldas foi muito feliz em homenagear os guitarristas e, enquanto pesquisador de músicas amazônicas, diz que a criação do axé tem forte ligação com a lambada paraense. “Ele se apropriou da melhor forma, no bom sentido e, como grande guitarrista, conseguiu executar muito bem os acordes, típico de quem conhece o assunto. Por estar metendo a mão nesse vespeiro, para não arriscar, resolveu homenagear, por respeito ao gênero que ele está mexendo, que é daqui. E ele, como criador do axé, tem grande influência das lambadas. Ele entende muito de música, e não foi algo aleatório”, opina o guitarrista paraense.
Um disco novo a cada mês
O disco “Guitarradas” faz parte de um projeto de Luiz Caldas criado há cinco anos, no qual disponibiliza mensalmente, via internet um disco inédito e gratuito, gravado no estúdio que ele montou na sua própria casa. Este que homenageia o Pará saiu em dezembro. Outro disco já está disponível este mês: “As Folhas”. Ao todo, já são 56 discos produzidos e das mais variadas vertentes, como MPB, bossa nova, samba, reggae, rock.“Estamos nos organizando para ver se conseguimos trazer dois guitarristas e mostrar as guitarradas ao vivo aqui em Salvador. Esse intercâmbio não vai parar por aí, não. Também pretendo ir ao Pará, mas não depende só de mim, seria uma honra voltar. A última vez fiz um show com Alceu Valença, já tem muito tempo. Quero voltar e colocar os paraenses para dançar, que sei que gostam, assim como nós”, diz.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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