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Dona Onete grava seu primeiro DVD em show hoje

Dona Onete gosta de falar de amor. E escreve o que sente. Aos 77 anos e com carreira tardia, a cantora diz que suas letras são recordações de uma vida já bem vivida. Depois de um ano de 2016 coroado com uma turnê internacional, com shows em Portugal, Fran

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Dona Onete gosta de falar de amor. E escreve o que sente. Aos 77 anos e com carreira tardia, a cantora diz que suas letras são recordações de uma vida já bem vivida. Depois de um ano de 2016 coroado com uma turnê internacional, com shows em Portugal, França, Inglaterra e Estados Unidos, e o reconhecimento a seu disco “Banzeiro” como um dos lançamentos interessantes do cenário nacional no ano passado, ela grava seu primeiro DVD esta noite, às 20h, no Teatro Margarida Schivasappa, em Belém.

Durante o show - já com ingressos esgotados -, a cantora apresenta canções dos discos já gravados e ainda músicas inéditas. A direção musical é de JP Cavalcanti, que também assume a percussão, e a produção, de Daniel Serrão, que toca sax. Também sobem ao palco Pio Lobato (guitarra), Breno Oliveira (baixo), Dan Bordallo (teclados), Felipe Ricardo (sax), Vovô (bateria), Rafael Barro e Douglas Dias (percussão) e Kleyton Silva no vocal de apoio.

Entre as inéditas, o repertório traz “Contraproposta”, que dialoga com a letra de “Proposta Indecente”. “Agora é o homem dizendo, se você aceitar a contraproposta é só ligar. É sobre um galante, um sedutor, você sabe, aqueles que não têm muita coisa para oferecer, mas oferecem? É o cara que sabe fazer uma cantada barata, mas a gente fica lisonjeada. Ela pensa que é um sonho, porque ele diz que quer viver uma história de amor sem brigas, sem cobranças e sem ciúmes. Será que existe?”, comenta, aos risos, Dona Onete.

O amor sempre fez parte do repertório de Dona Onete muito antes de suas músicas serem conhecidas, após o encontro com os integrantes do Coletivo Rádio Cipó e o lançamento do disco “Feitiço Caboclo”, em 2012, que apresentou seu carimbó chamegado. Na infância, em Igarapé-Miri, ela costumava ir para a beira do Rio das Flores para (en)cantar aos botos, ao ponto de uma tia querer levá-la a um curandeiro. “Mas ele disse que era para todos ficarem despreocupados, porque eu ainda não tinha menstruado. E eu só queria cantar Emilinha Borba, Ângela Maria, aquelas canções bonitas de amor, e ver os botos pularem. Eu gosto do amor, chega de cantar amarguras. Trago isso para as minhas canções. E o meu Pará também, para onde eu for”, diz.

Dessas histórias calcadas na própria experiência, é que surge muito da identificação do público, acredita a cantora. “Daqui uns anos vou entrar na oitava década de vida. E tudo que escrevo são partes das minhas vivências. Tem uma história que conto numa música sobre um rapaz que perguntou por mim para um garçom, mas eu fugi. Até que uns meses depois ele me encontrou em Igarapé-Miri e a gente se enamorou. Fui casada 25 anos, depois mais 12, e agora estou sozinha, não devo satisfação a ninguém. Tô mandando em mim, eu sempre digo, vocês vão se encontrar muito nas minhas músicas, porque vocês estão indo, eu estou voltando”, comenta.

Cantora será tema de documentário

O momento marca também a gravação de um documentário, com direção de Vladimir Cunha, que mostrará a vida de dona Onete, suas lembranças da infância em Igarapé-Miri - onde cresceu e morou mais de 40 anos -, suas dores e amores, a experiência de professora de história da Amazônia e de secretária de Cultura. O material será unido à apresentação musical em um só produto.

Suas amigas, a vendedora de ervas Dona Coló e Dona Sueli, que vende artigos religiosos no Mercado de Carne, também falam sobre Dona Onete. O documentário foi gravado na própria casa da cantora, e ainda no Rio das Flores, onde ela começou a cantar em Igarapé-Miri, e no Ver-o-Peso.

O diretor comenta que é exatamente a natureza da cantora que merece ser mostrada, sem pompas ou floreios, assim como sua trajetória de empoderamento e vida política. “As pessoas normalmente não sabem quem é a pessoa por trás do artista. Já começamos a gravar. É um processo a longo prazo, já que a gente passa a se familiarizar com os entrevistados, e esse processo de coleta de informações acaba dando o rumo para o documentário. No geral, será para revelar muito sobre ela, que não é uma cantora de um ambiente só, tem ainda o sincretismo dela. É uma personalidade interessante e complexa, não é só a Dona Onete que estamos acostumados a ver”, comenta o diretor.

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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