No próximo sábado (21), às 17h, o músico paraense Henry Burnett faz um show de pré-lançamento do CD "Belém Incidental", no espaço cultural Discosaoleo. A entrada é franca.
Em entrevista ao DOL, Henry se definiu como "um compositor de canções tradicional, com a diversidade rítmica e poética de quem passou a maior parte da vida em Belém e que se nutre da cidade até hoje", explica.
Burnett também revelou de alguns detalhes de seu novo álbum. "Foi um álbum pensado muito lentamente, embora tenha sido finalizado de modo rápido. São 10 faixas, que começaram a ser gravadas em Santarém há mais ou menos 4 anos, com produção de Fábio Cavalcante. O álbum mistura canções antigas ("Vozes do norte", "Balanço de onda") com a safra mais recente ("Belém de passagem, com letra de Paulo Vieira); no meio delas, canções com meus outros dois parceiros frequentes, Renato Torres ("Reino") e Edson Coelho ("Trem do samba"). Cada faixa foi escolhida com calma, por isso o conjunto fala. A exceção é "E nós", que escrevi para os 70 anos da minha mãe, no ano passado", antecipou.
Além disso, o músico disse ainda que "o disco foi todo gravado em home studio, quatro no total. Mas a maior parte foi gravada e finalizada no Guamundo home studio, do Renato Torres, que divide a produção do disco com o Fábio. Fizemos um concerto especial pelos 10 anos do meu disco de 2006, "Não Para Magoar", na Casa do Fauno", destacou.
Para quem já conhece sua obra, Henry avisou que "uma mudança muito grande foi feita neste álbum, onde assumi uma faceta apenas insinuada nos discos anteriores: o rock. De algum modo, esta opção significa uma homenagem ao grande movimento do rock paraense, simbolizado pela única convidada do disco, a Sammliz", finalizou.
Perfil
Henry Burnett nasceu em Belém do Pará em 1971. Pós-doutor em Filosofia, atualmente é professor na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Como músico, possui quatro CDs gravados: o experimental“Linhas Urbanas”, 1996; “Não Para Magoar”, 2006; “Interior”, 2007, gravado em Buenos Aires em parceria com Florencia Bernales e o livro/CD “Retruque/Retoque”, 2010, em parceria com o poeta paraense Paulo Vieira. Além disso, Henry também produziu o CD “Depois da revoada”, 2012, junto com o músico e poeta paulistano Julio Luchesi.
Já como pesquisador, Henry é autor do livro “Cinco prefácios para cinco livros escritos: uma autobiografia filosófica de Nietzsche” (Tessitura Editora, Belo Horizonte, 2008), da coletânea de ensaios sobre filosofia e música “Nietzsche, Adorno e um pouquinho de Brasil” (Editora Unifesp, 2011) e do volume da Coleção Leituras Filosóficas da Editora Loyola “Para ler O Nascimento da Tragédia de Nietzsche” (2012).
Em 2014, Henry lançou o videoclipe da canção Oswald Canibal, dirigido por Rodolfo Pereira. A canção é resultado da parceria de Henry com Vieira, também seja fruto de uma simbiose de fatores, referências e estilos: da poesia modernista de Oswald Andrade e a filosofia contemporânea de Benedito Nunes, passando pelo interstício que une (pelo bem, pelo mal) São Paulo e Belém do Pará. A canção “fala” da ambição do modernista Oswald e cita o recorrente diagnóstico de Benedito Nunes sobre o esfacelamento de Belém.
Serviço
Concerto de pré-lançamento do álbum "Belém Incidental", de Henry Burnett
Quando? Sábado (21), 17h
Onde? Discosaoleo (Campos Sales, 628, Comércio)
Entrada franca.
(Enderson Oliveira/DOL)
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