Quando a diarista Maria Antônia Rosário Costa, 41 anos, matriculou a filha Ana Clara Azevedo, 12, na aula de ginástica rítmica, há quatro anos, em um projeto social no bairro da Sacramenta, em Belém, queria apenas garantir que a menina não ficasse com tempo ocioso em casa. Não poderia imaginar o caminho que viria a seguir. Destacada entre as outras alunas com gosto pela dança, ela ganhou uma bolsa no Estúdio de Dança Lucinha Azeredo e se apaixonou pelo balé clássico. Ontem, ela embarcou para Joinville, em Santa Catarina, onde deve ficar os próximos oito anos, longe da família, para seguir um sonho. Ana Clara está entre os quatro jovens bailarinos paraenses selecionados pela escola do Balé Bolshoi no Brasil, entre mais de 2,5 mil crianças inscritas de todo o país para as pré-seleções, que terminaram com apenas 48 aprovados para morar em Joinville e realizar o curso.
“As pessoas acreditam em mim e sempre me ajudaram. Comecei com a ginástica e fui conhecer o balé, fui gostando cada vez mais, é algo em que me inspiro e gosto muito, faço com muito amor, harmonia, alegria. Cada vez que eu danço, mais eu gosto. Não achava que ia ser selecionada, mas estava confiante”, diz a menina, que mesmo com a pouca idade, se diz decidida pela carreira de bailarina. “Vou tentar me adaptar, mas vai ser difícil pela saudade”.
A mãe está com o coração apertado, mas feliz pela filha por saber que ela está indo rumo a uma realização pessoal. Maria Antônia não poderá se mudar com Ana Clara, mas deixará a menina com a mãe de uma aluna selecionada. “A gente está muito feliz por isso, pela dedicação, pela carreira que ela escolheu. Mas estou preocupada porque ela é muito nova, de repente não é isso que ela quer, mas a gente conversa muito e ela está com opinião formada”, diz a diarista, que embarcou com a filha e a acompanha em Joinville apenas até o dia 20 de fevereiro.
Aimée Soares, 30, é outra mãe que ficará também com saudades. Junto com Ana Clara e ainda com Matheus Lima, de 15 anos, e Thaissa Souza, de 11, a filha dela, Ágatha Fonseca, de 11 anos, também foi selecionada para atuar na escola do balé mais famoso do mundo, em sua única filial fora de Moscou, aqui no Brasil. Fiquei muito feliz e orgulhosa, a gente nunca pensa que vai acontecer com a gente. E desde o ano passado, quando soubemos que ela foi selecionada, já estava pensando neste dia de hoje, como ia ser, se ela ia morar ou não em Santa Catarina, fiquei nessa indecisão. Mas estamos muito felizes, é o sonho dela”, diz Aimée.
Ágatha, que também passou pela escola de Lucinha Azeredo, está ansiosa, mas espera cumprir com as exigências do Bolshoi. Ela diz que ficou encantada com a estrutura disponível para os bailarinos e que pretende se esforçar bastante para chegar à carreira profissional, tal qual as bailarinas que vê nos palcos dos grandes teatros. “Quando chegar lá, vou dar o meu melhor. Eu amo dançar”, diz.
(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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