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Aíla lança minidoc de criação de novo disco

Minidoc lançado no YouTube mostra processo de criação do novo disco da cantora, “Em Cada Verso um Contra-Ataque” (Foto: Júlia Rodrigues/Divulgação) Uma imersão e um grande encontro de artistas – entre músicos, fotógrafos e designers – resultaram no disco

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Minidoc lançado no YouTube mostra processo de criação do novo disco da cantora, “Em Cada Verso um Contra-Ataque” (Foto: Júlia Rodrigues/Divulgação)

Uma imersão e um grande encontro de artistas – entre músicos, fotógrafos e designers – resultaram no disco “Em Cada Verso um Contra-ataque”, de Aíla, lançado ano passado, com o selo Natura Musical. Após quatro anos de pausas e mudanças do primeiro disco “Trelelê”, a cantora fez uma volta ao passado, aos bons tempos de estudante universitária, trazendo em seu segundo álbum a verve política de outrora. O resumo de toda essa produção e das questões de Aíla estão reunidos num minidocumentário rodado durante o período de produção do disco, que ela acaba de lançar em seu canal no YouTube.

A cantora foi presidente de centro acadêmico na Universidade do Estado do Pará (Uepa) e manteve intensa atuação no movimento estudantil. Porém, cessado o período regulamentar das aulas e com a formatura, ela acabou entrando no mundo tropical-caliente paraense e o resultado foi uma mistura de ritmos regionais com letras açucaradas. Mas não poderia passar batida pelo movimento político que o Brasil passa, tendo como ponto germinal as manifestações de junho de 2013 e mais recentemente o impeachment da presidente Dilma Rousseff em 2016. Além disso, a sua mudança de Belém para São Paulo também a influenciou de forma contundente para que o disco que ela agora divulga trouxesse essa carga de uma postura política assumida. “(Queria) Não fazer mais um disco apenas, mas gravar mensagens”, diz.

Por dentro de um trabalho combativo

Casada com a designer Roberta Carvalho, um dos pontos de que Aíla fala é sobre relacionamento gay – como na música “Lesbigay”, em parceria com Dona Onete. Há ainda discussões sobre feminismo (“#NãoVouCalar”) e racismo (“Melanina”, com letra de Chico César”) e críticas ao sistema capitalista (“Será”, em que canta “e na direção que o mundo está tomando vou ter que pagar o ar do meu pulmão”) e ao estresse da vida urbana contemporânea (em “Rápido”, parceria com a esposa). E essa costura de temas é contada com detalhes no documentário: desde os arranjos com os músicos até o making of do ensaio fotográfico.

“Essa postura foi algo que partiu de mim mesma, foi muito individual. Parei de fazer shows e imergi numa espécie de solidão criativa, escrevendo, e percebi que queria fazer um trabalho mais combativo, com as questões do agora. Chamei artistas para somar nesse processo, que realmente acreditam no que eu creio também, tanto no visual quanto na sonoridade. A mulher cantora é lugar comum na música brasileira, e quis tirar isso, ir mais para a performance, o que aparece nas fotografias, no figurino, com a cor vermelha, imagens em movimento e dramaticidade, espelhos quebrados, vidros. Pensamos paralelamente no som e na questão visual, com o baiano Lucas Santtana, que cuidou da estética sonora do disco e fez o diálogo com a banda”, diz Aíla.

Aíla conversa com Lucas Santtana durante as gravações de “Em Cada Verso um Contra-Ataque”, momentos registrados no minidoc disponível na internet. Foto: Roberta Carvalho/Divulgação)

Clima adaptado em entrevistas

No vídeo sobre “Em Cada Verso Um Contra-Ataque”, Lucas Santtana fala, por exemplo, da forma de gravação do disco, captado como se fosse ao vivo, em dez dias no estúdio. “Como as letras trazem questões, eu pensei que seria legal ter uma banda para ter esse som orgânico. Que não tem clique, que é feito na hora, no calor. Achei que isso ia defender mais essas músicas que teriam mais essas questões”, comenta o produtor no documentário.

A co-curadora Juliana Sá, da Dobra Comunicação e Outros Desdobramento – com sede no Rio de Janeiro e responsável pela carreira de Aíla – também dá seu depoimento e ressalta que a mudança de cidade é perceptível como delimitador de novos rumos. “É muito legal perceber que dentro desse repertório tem uma viagem dela pelo próprio país e a sonoridade do disco mostra isso”, diz Juliana Sá.

Novos clipes dirigidos por mulheres e festival feminista nos planos

Aíla adianta que prepara para este ano a gravação de cinco clipes do disco – todos dirigidos por mulheres – e que vai realizar em Belém o 1º Festival Feminista, para reunir debate e exposições artísticas sobre o tema. A ideia é conseguir realizar no mês de março, aproveitando o embalo do dia 8, Dia Internacional da Mulher, e falar sobre lutas e direitos e não somente de homenagens, cabelo e maquiagem. Também já está marcada uma turnê por Salvador e Rio de Janeiro.

“É um ano de trabalhar esse disco, de várias maneiras. A vontade era conseguir um clipe para cada música, já fizemos de ‘Rápido’, mas fazer mais cinco já está ótimo. Penso nas mulheres diretoras, uma de cada canto do país, quero fazer só com a mulherada. Tem a circulação dos shows e várias ideias, projetos que quero realizar, como o Festival Feminista, para ser um dia bem bonito, com debates, queremos trazer a Djamila Ribeiro (feminista, pesquisadora da área de filosofia política)”, diz a cantora, feliz, com a carreira de vento em popa, nos ares da mudança. Toca o barco, Aíla!

(Dominik Giusti/Diário do Pará)

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