Os diagnósticos da doença de Parkinson podem registrar um salto expressivo nas próximas décadas, saltando para 25,2 milhões de indivíduos afetados até o ano de 2050. A projeção estatística, que aponta para um crescimento global de 112% na prevalência da condição, foi publicada na renomada revista científica The BMJ. O envelhecimento acelerado da população mundial desponta como o principal fator de risco para o avanço da enfermidade, que já se consolida atualmente como a segunda desordem neurodegenerativa mais frequente do planeta, atrás apenas do Alzheimer.
De acordo com o neurologista clínico José Guilherme Schwam Jr., do Complexo Clínico Órion Business, o entendimento de que o Parkinson se resume a tremores prejudica a detecção precoce. Embora os tremores de repouso acometam cerca de 70% dos pacientes, a disfunção neurológica costuma manifestar sintomas clínicos silenciosos e não motores muitos anos antes de comprometer a coordenação ou a dinâmica dos movimentos habituais.
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Sintomas precoces e sinais de alerta
A identificação de marcadores clínicos iniciais é fundamental para antecipar o acompanhamento médico e desacelerar a evolução da doença:
• Sinais não motores: A perda progressiva ou parcial do olfato, quadros persistentes de prisão de ventre, distúrbios do sono (como episódios de movimentos bruscos ou agressivos durante pesadelos) e episódios de depressão mimetizam outras condições, mas servem de alerta.
• Sinais motores clássicos: Instalam-se de forma gradativa, manifestando-se por meio da rigidez muscular involuntária, tremores em membros quando o corpo está relaxado e a lentidão geral para executar tarefas motoras cotidianas (bradicinesia).
• Faixa etária: Embora a incidência se concentre em pacientes com mais de 65 anos de idade, o especialista reforça que o Parkinson não é exclusivo da terceira idade, registrando casos em indivíduos na faixa dos 40 ou 50 anos.
O impacto neuroprotetor dos exercícios
Apesar de o Parkinson permanecer classificado como uma doença crônica e sem cura definitiva na medicina contemporânea, abordagens terapêuticas multidisciplinares asseguram a manutenção da autonomia do paciente. O especialista aponta que a prática regular de atividades físicas de intensidade moderada a alta desempenha, hoje, o papel mais robusto e eficaz no retardo da evolução dos sintomas motores.
Efeito Neuroprotetor: Os estímulos físicos frequentes atuam diretamente no sistema nervoso, reduzindo de forma comprovada o índice de quedas corporais, dores musculares difusas e limitações de mobilidade. O engajamento em rotinas de exercícios, associado à administração correta da terapia medicamentosa prescrita e ao controle de fatores cardiovasculares e metabólicos através da alimentação, funciona como o principal pilar para blindar a qualidade de vida e a independência funcional do paciente por longos anos.
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