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SAÚDE

Novo critério detecta esclerose múltipla antes dos sintomas

Atualização das diretrizes globais incorpora biomarcadores inovadores e possibilita o início do tratamento precoce, reduzindo drasticamente o risco de sequelas

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Imagem ilustrativa da notícia Novo critério detecta esclerose múltipla antes dos sintomas camera Atualização das diretrizes globais incorpora biomarcadores inovadores e possibilita o início do tratamento precoce, reduzindo drasticamente o risco de sequelas | Reprodução

Avanços recentes na medicina diagnóstica passaram a permitir a identificação da esclerose múltipla antes mesmo que o paciente manifeste os primeiros sintomas clínicos. A mudança decorre da atualização dos "Critérios de McDonald" — parâmetros científicos que norteiam a detecção da patologia. Revisados originalmente em 2024 e publicados oficialmente em 2025 pela revista The Lancet Neurology, os novos critérios incluíram marcadores inéditos para agilizar o tratamento preventivo.

A esclerose múltipla é uma condição autoimune crônica na qual o próprio sistema de defesa do organismo ataca a bainha de mielina, capa protetora que reveste os neurônios e que é crucial para a transmissão dos comandos cerebrais. O ataque inflamatório gera lesões em áreas como a medula, o cerebelo e o nervo óptico, resultando em sequelas motoras e visuais. Atualmente, a doença afeta cerca de 2,9 milhões de pessoas no mundo e aproximadamente 40 mil cidadãos no Brasil, configurando-se como a condição neurológica mais comum em adultos jovens.

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O que mudança com as novas diretrizes

A reformulação dos protocolos médicos alterou a forma como os especialistas avaliam os exames de imagem e laboratoriais:

• Inclusão do nervo óptico: O nervo óptico foi oficialmente reconhecido como uma região típica para o surgimento de lesões da doença, somando-se às áreas periventricular, juxtacortical/cortical, infratentorial e medula espinhal.

• Fim do diagnóstico tardio: Pacientes que apresentam lesões características em exames de ressonância magnética, mas não exibem sintomas físicos (antes classificados com síndrome radiológica isolada), agora podem receber o diagnóstico definitivo de esclerose múltipla.

• Tecnologia de ponta: A análise combinada de ressonâncias magnéticas de alta definição com a busca de biomarcadores específicos no líquido cefalorraquidiano (líquor) — como as bandas oligoclonais e depósitos de ferro — confere maior exatidão ao processo.

Tratamentos modernos conseguem silenciar a doença

O reflexo direto de um diagnóstico antecipado é a introdução imediata de terapias individualizadas de alta eficácia. O mercado farmacêutico conta com mais de dez opções de medicamentos, incluindo imunomoduladores e imunossupressores em comprimidos ou aplicações endovenosas. Recentemente, a Anvisa aprovou o ublituximabe (comercializado como Briumvi), um anticorpo monoclonal que atua impedindo que os linfócitos agridam os neurônios.

Obstáculo global: Apesar das inovações na eficácia terapêutica — que conferem mais de 90% de chance de evitar novas inflamações no cérebro —, mais de 80% dos países ainda relatam barreiras para consolidar o diagnóstico precoce. O cenário de atraso ocorre devido à escassez de profissionais especializados, falta de aparelhos de ponta e ao fato de os pacientes passarem anos investigando sintomas difusos (como fadiga e tontura) com outros especialistas antes de chegarem ao neurologista.

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