O pior dos pesadelos para os azulinos ganhou vida ontem à tarde, em Bragança, contra o Guarani de Sobral. Depois de exagerar na insistência com bolas aéreas, o Remo abriu espaço na defesa e permitiu que o visitante aproveitasse a única chance real que teve no primeiro tempo.
Como havia acontecido na estreia diante do Moto Clube, o Remo começou a partida com confiança e empolgação. Fustigou a zaga inimiga várias vezes, mas sempre alçando bolas na área. A exceção foi um disparo forte do volante Dadá, que levou muito perigo. Nos outros lances, o goleiro do Guarani aparecia sempre bem posicionado.
Curiosamente, o Remo não fazia valer a presença de tantos jogadores ofensivos no time. O setor de armação pouco aparecia e o ataque se embolava nas tentativas pelo meio. Criatividade zero.
Quando um time mandante abre mão de se impor com qualidade, abre caminho para surpresas desagradáveis. A estratégia do técnico Roberto Fernandes de usar cinco homens no meio se mostrou equivocada. Reis, Marcinho e Tiago Potiguar tinham a missão de fazer a armação e a aproximação com o isolado Leandro Cearense no ataque. Nada funcionou.
E a semelhança com a partida contra o Moto se confirmou quando o limitado Guarani, mesmo timidamente, foi ao ataque e marcou seu gol, aos 38 minutos. Um chute de longe que pegou Maikcy Douglas desprevenido. Azar do Leão, pois as coincidências com o jogo de estreia ficaram por aí, pois o gol de empate não aconteceu.
O técnico Roberto Fernandes tentou mudar o cenário, fazendo três substituições para a etapa final. Errou novamente. Entraram Rafael Paty, Ratinho e Roni, mas foi como se nada tivesse acontecido, pois o ataque continuou impotente diante da defesa cearense, incapaz de arriscar uma jogada mais ousada ou envolvente.
Estranho é que o Remo passou 15 dias de folga no torneio e poderia ter trabalhado mais o passe, inversões de posicionamento e jogadas ensaiadas. Mais estranho ainda é que Fernandes tenha passado a enxergar em Reis, dispersivo na maior parte do tempo, uma opção para a titularidade.
O jogo evidenciou que o time carece de vida inteligente no meio-campo. Falta um organizador, tarefa que Eduardo Ramos cumpriu até o final do campeonato estadual. E Ratinho – ao contrário do que pensa e diz o técnico – não é o vilão por ali. Sabe jogar, mas é um atacante de lado de campo, jamais um organizador. Se espera isso do
A situação agora ficou delicada. O time complicou uma caminhada que era relativamente tranquila. Perdeu quatro dos seis pontos disputados em casa e terá apenas mais seis a cumprir em Bragança. A liderança agora passou para as mãos do Guarani, com quem o Leão voltará a jogar no próximo fim de semana, em Sobral.
Por sorte, as diferenças de pontuação ainda são muito estreitas, o que ainda permite uma recuperação. Mas será preciso jogar muito mais do que tem jogado até aqui.
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