Há quem veja com lentes distorcidas a profissão de técnico de futebol. Parecem bem sucedidos, remunerados nababescamente e prestigiados. O noticiário farto sobre a atividade também ajuda a encantar. Talvez venha daí o interesse crescente pelo ofício, que tem de fato seus atrativos, como alguns salários robustos, mas carrega a sina da alta rotatividade.
Na verdade, poucas profissões no planeta são tão instáveis quanto a de treinador de futebol. E o fenômeno não se restringe ao Brasil, embora aqui a dança de cadeiras seja bem mais intensa.
Cinco demissões em times de ponta marcam as cinco primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro. O caso mais emblemático é o de Marcelo Oliveira, que conduziu o Cruzeiro a dois títulos nacionais consecutivos em apenas dois anos e meio de trabalho. Foi defenestrado por fracassar na Libertadores, competição que encarou com um time recém-formado.
O Flamengo também abriu mão de seu comandante. E não é um comandante qualquer. Trata-se de Vanderlei Luxemburgo, o mais vitorioso dos técnicos brasileiros de clubes. Em sua quarta passagem pelo clube da Gávea, Luxemburgo sucumbiu aos maus resultados e à não conquista do inexpressivo Campeonato Carioca.
Para sua sorte, o mercado abriu-lhe de imediato uma nova porta: assumir o Cruzeiro, que havia dispensado Marcelo Oliveira.
A guilhotina atingiu também o internacional Felipão. Alquebrado pelo vexame com a Seleção na Copa, foi recebido de braços e abertos no seu Grêmio, mas a combinação de esquema pouco criativo + time limitado acabou lhe custando o emprego.
Ricardo Drubscky, um técnico de pouco realce, dirigiu o Fluminense até a quarta rodada do Brasileiro. Pauladas seguidas fizeram com que sua passagem fosse encurtada. Enderson Moreira, que três meses antes fora desligado do Santos, assumiu o bastão.
Anteontem, o Joinville também anunciou a demissão de Hemerson Maria, que estava lá há um ano e meio – era o segundo mais longevo do país, depois de Marcelo Oliveira. É dele, em nota distribuída à imprensa, a definição mais certeira sobre as agruras da carreira. “Construí uma grande história no Joinville que, infelizmente, chegou ao fim. A vida continua, no futebol os profissionais passam e o clube permanece”. Bom resumo.
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