Não foi um show, mas o Papão conseguiu se reencontrar com seus melhores momentos na competição. Jogou o suficiente para ser amplamente superior e estabelecer 2 a 0 sobre o América-MG, que ocupava até então a vice-liderança. Grande resultado, que reabilita o time depois de quatro resultados ruins. Mais que isso: dá tranquilidade para seguir lutando e acreditando no acesso.
Wellington Jr., pelos dois gols e a grande movimentação no ataque, foi o grande nome da partida. Quase no mesmo nível, Leandro Cearense reapareceu mostrando utilidade para o equilíbrio ofensivo do time. Foi importantíssimo no cerco aos zagueiros e volantes do América na saída de bola. Roubou, por sinal, as duas bolas que resultaram nos gols de Wellington.
Leandro só não conseguiu corrigir o velho problema de vacilar nas finalizações mais fáceis. Logo a dois minutos, deixou de fazer o gol preferindo forçar uma penalidade em cima do goleiro João Ricardo. O árbitro não foi na conversa e o Papão perdeu excelente oportunidade.
Logo depois, porém, se redimiu brigando pela recuperação da bola no lado esquerdo do ataque, passando a João Lucas, que cruzou para Wellington abrir o placar, aos 12 minutos. Cearense também perderia outra preciosa chance de ampliar aos 18. Mas se empenhou bastante, junto com Misael e Wellington, em barrar as tentativas de ligação entre defesa e ataque do América, funcionando como uma primeira barreira de marcação.
A estratégia deu tão certo que, logo aos 2 minutos do segundo tempo, nova roubada de bola por Cearense possibilitou o segundo gol. No lance, Cearense exibiu categoria de lançador, deixando Wellington à frente dos zagueiros para finalizar – em dois chutes – e marcar.
E o mais impressionante é que tudo isso ia acontecendo sem que o meio-campo mostrasse um mínimo lampejo de criatividade. Em contraponto com a boa atuação de quase todos os demais jogadores, Carlos Alberto manteve a regularidade: foi nulo e ausente.
Cauteloso como sempre foi, Givanildo Oliveira posicionou o América para não perder. Faz isso há uns quatrocentos anos, algumas vezes com sucesso. Contra o Papão de Dado Cavalcanti o expediente fracassou porque havia uma estratégia para atrapalhar a movimentação dos mineiros em campo, começando pela marcação adiantada feita pelos atacantes.
Com Capanema e Fahel bem postados à frente da defesa e com vigilância de Misael e Wellington aos alas do América, o Papão impedia que o adversário explorasse as laterais, forçando as tentativas pelo meio, justamente onde havia maior concentração de jogadores. Givanildo viu o jogo todo transcorrer sem se atentar para esse truque.
Na verdade, o América só criou algum embaraço na metade do primeiro tempo, quando passou a vigiar também a saída de bola do Papão, forçando alguns erros de passes. Mas, ainda assim, a forte presença dos três atacantes permitia sempre boas situações ofensivas para os bicolores. Além disso, o time mineiro padecia do mesmo mal no setor de criação: ausência total de inspiração.
A vitória do Papão se consolidou com o gol logo no começo do segundo tempo. A ampliação da vantagem deixou o América ainda mais atrapalhado e na dúvida entre marcar os rápidos atacantes do Papão e buscar uma reação. Acabou não fazendo nem uma coisa nem outra, embora Givanildo buscasse saídas, substituindo atacantes. Sem sucesso, o América não conseguiu acertar o passo. Méritos do Papão.
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