Depois de fazer um gol fora de casa no primeiro jogo, ao Papão cabe vencer o Fluminense hoje à noite para seguir na Copa do Brasil, situando-se entre os oito melhores do país na competição. Jornada dificílima por todas as razões técnicas conhecidas e, mais ainda, pelo fato de o time carioca ter vindo a Belém com um time quase todo formado por reservas.
Explicando melhor: as regras não escritas do futebol mostram que todo time badalado que escala reservas costuma ter um aproveitamento acima da média. E é fácil entender os motivos. Os caras que ficam na suplência vivem à espera de oportunidades – sempre raras – de mostrar seu valor.
Num clube que tem folha salarial na faixa de R$ 20 milhões e estrelas do porte de Ronaldinho Gaúcho e Fred dá para imaginar a gana com que reservas se lançam ao jogo quando têm a chance de mostrar suas qualidades.
No jogo de ida, semana passada, uma das principais figuras em campo foi justamente um reserva, o goleiro Júlio César. Ele é apenas o terceiro goleiro na hierarquia da posição nas Laranjeiras. Nem torcedores mais fanáticos do Flu lembravam dele. Agarrou muito, fazendo com que ninguém sentisse falta do titular Diego Cavalieri.
Por tudo isso, o Papão precisa se cercar de cuidados para não ser envolvido pelo jogo de velocidade da garotada que o Fluminense vai utilizar. Um dos caminhos a serem seguidos pelo técnico Dado Cavalcanti deve ser o de estabelecer média pressão na saída de jogo dos tricolores.
No Maracanã, essa estratégia funcionou em certos momentos da partida, quando Aylon e Leandro Cearense conseguiram encaixar boa marcação nos volantes do Flu, principalmente Jean. No Mangueirão, a tática deve ser explorada com mais intensidade. Não há meio mais fácil de enervar e desestabilizar um time visitante do que fechar suas saídas de bola.
Contra o América-MG, há duas semanas, o Papão agiu assim e matou no nascedouro todos os planos de vitória de Givanildo Oliveira e seus comandados. Naquela noite, Dado Cavalcanti lançou mão pela primeira vez de três atacantes – Misael, Cearense e Welinton Jr.
Como o Papão voltou a usar contra Fluminense e Botafogo a formação que conquistou o maior número de pontos na Série B, é quase certo que Dado mantenha a escalação com Capanema, Recife e Jonathan, o que permitirá exercer pressão sobre os volantes do Flu adiantando o primeiro combate, função que pode ser exercida por Jonathan, com a ajuda dos atacantes Cearense e Aylon.
O fato é que as perspectivas são bastante positivas para o Papão. O time atravessa momento de alto astral, quase em estado de graça depois da categórica vitória sobre o Botafogo no último domingo, e jogando com aplicação e objetividade como não fazia desde o começo da Série B.
Além da força de conjunto, não se pode esquecer o tremendo trunfo representado pelo talento de Pikachu para decidir jogos. Em grande fase, não por coincidência atuando de novo ao lado de Jonathan, Pikachu terá a missão de furar o bloqueio defensivo dos visitantes. Mesmo sendo cada vez mais vigiado pelos marcadores, o ala já mostrou ser imune a pressões, costumando brilhar em momentos decisivos. Hoje tem nova oportunidade de mostrar essas qualidades para todo o Brasil.
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