A Polícia Federal (PF) encaminhou um pedido para a convocação de mais 341 candidatos aprovados no concurso para a área Administrativa. A solicitação está fundamentada em uma nota técnica interna que destaca a necessidade urgente de recomposição do quadro de servidores, diante da redução do efetivo, do aumento das demandas e da previsão de novas aposentadorias nos próximos anos.
O documento já foi assinado pela corporação e aguarda análise dos ministérios competentes para que seja autorizada a edição do decreto que permitirá a nomeação dos excedentes. A intenção da PF é aproveitar o cadastro de reserva antes do encerramento da validade do certame, previsto para outubro de 2027.
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Redução histórica do efetivo preocupa a corporação
Entre os principais argumentos apresentados pela Polícia Federal está a significativa redução do número de servidores administrativos ao longo das últimas duas décadas.
Segundo dados do Sistema Integrado de Administração de Recursos Humanos (SIAPE), em 2006 a área administrativa da PF contava com 3.370 servidores ativos. Atualmente, esse número caiu para 1.943 funcionários, representando uma redução de 57% no efetivo.
De acordo com a corporação, a diminuição do quadro de pessoal provocou uma sobrecarga nas unidades descentralizadas, justamente em um período em que a demanda por serviços da instituição continuou crescendo.
Aposentadorias podem agravar déficit de pessoal
A situação tende a se tornar ainda mais desafiadora nos próximos anos. A Polícia Federal projeta a aposentadoria de 343 servidores entre 2027 e 2031, sendo que somente em 2029 estão previstas 154 saídas.
Além disso, a instituição informa que atualmente 791 servidores recebem abono de permanência, benefício concedido a quem já reúne condições para se aposentar, mas opta por permanecer em atividade. Na prática, esse contingente representa mais de um terço da força de trabalho atual e pode deixar os quadros da PF a qualquer momento.
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Saúde mental e afastamentos motivam reforço nas equipes
Outro ponto destacado na nota técnica é o aumento dos afastamentos por motivos de saúde, especialmente relacionados à saúde mental dos servidores.
Dados do Subsistema Integrado de Atenção à Saúde do Servidor (SIASS) indicam que, nos últimos cinco anos, a Polícia Federal registrou mais de 519 mil dias de afastamento por licença médica. Desse total, mais de 31 mil dias foram relacionados a transtornos e problemas de saúde mental.
A corporação avalia que o número atual de médicos e psicólogos é insuficiente para atender à demanda interna, reforçando a necessidade de contratação de novos profissionais para atuação em juntas médicas e programas de prevenção.
Novas atribuições aumentam demanda administrativa
A Polícia Federal também argumenta que assumiu novas responsabilidades nos últimos anos, ampliando a carga de trabalho dos servidores administrativos.
Um dos exemplos citados é a transferência para a PF da gestão e fiscalização relacionadas aos colecionadores, atiradores e caçadores (CACs), atribuição que anteriormente era exercida pelo Exército Brasileiro.
Segundo a instituição, a escassez de pessoal impacta diretamente o atendimento ao público e a análise de serviços como emissão de passaportes, certidões e outros procedimentos administrativos.
Distribuição das vagas solicitadas
O pedido apresentado pela Polícia Federal prevê a convocação de 341 aprovados, distribuídos da seguinte forma:
- Agente Administrativo (nível médio): 298 vagas;
- Médico (nível superior): 36 vagas;
- Estatístico (nível superior): 4 vagas;
- Assistente Social (nível superior): 2 vagas;
- Psicólogo (nível superior): 1 vaga.
Agora, a expectativa dos candidatos aprovados está voltada para a publicação do decreto presidencial que poderá autorizar as nomeações adicionais e permitir o reforço do quadro administrativo da Polícia Federal.
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