Grande vencedor do Amazônia Doc.2 – Festival Pan-Amazônico de Cinema, o longa “Terra Deu, Terra Come” (Brasil, 2010, 88’), do mineiro Rodrigo Siqueira, segue em cartaz até o dia 28 deste mês no Cine Olympia. A sessão, com início às 18h30, traz ainda o paraense “Mãos de Outubro”, vencedor do festival na categoria curta-metragem. A entrada é franca.
A partir da história de Pedro de Alexina, garimpeiro de 81 anos, “Terra Deu, Terra Come” registra e narra um ritual fúnebre em dialeto “banguela” (mistura de várias línguas africanas que têm em comum o tronco linguístico banto), em Diamantina, no interior de Minas Gerais. O documentário conquistou o prêmio de Melhor Longa do Amazônia Doc.2 e ainda garantiu ao diretor mineiro Rodrigo Siqueira a estatueta de Melhor Diretor.
“É um documentário mineiro pro excelência. Repleto de história, misticismo e desconfiança, especialmente desconfiança”, comenta Siqueira, também vencedor do festival carioca É Tudo Verdade e premiado no Dok Leipzig (Alemanha) deste ano. “Eu acredito que cada lugar tem o seu sertão, sua identidade”. O olhar particular do diretor sobre o cotidiano do quilombo Quartel de Indaiá, a partir das histórias contadas por Seu Pedro, faz com que a narrativa oscile o tempo todo entre a realidade e a representação. “Meu intuito não era fazer um documentário de personagem, mas Seu Pedro tomou o filme para ele”, conta o diretor. Último guardião das tradições remanescentes da época em que os negros aportaram na região para trabalhar no garimpo, Seu Pedro é ex-garimpeiro, agricultor, benzedor, curandeiro, feiticeiro e também um ator. “Ele é um contador de histórias habilidoso. E como tal, ele não deixa de representar e atuar. Isso deu pro filme uma carga de ficção que vem encantando as pessoas”, pondera Rodrigo.
Mãos
O curta “Mãos de Outubro”, do paraense Vitor Souza Lima, também acumula prêmios: foi destaque no “É Tudo Verdade” – com os prêmios Canal Brasil e ABD-São Paulo –, e arrebatou o troféu de Melhor Curta Documentário no Amazônia Doc.2. O filme traz uma visão diferente sobre o Círio de Nazaré, focada principalmente nas mãos de todos aqueles que fazem a procissão, desde as bordadeiras até os promesseiros da corda.
Filmado em preto e branco, o filme de 21 minutos não se enquadra no que habitualmente se entende por documentário. Não há dados históricos, fatos ou preocupação didática. Prefere a atmosfera lírica e experimental ao explorar apenas as vozes dos fieis e suas memórias, sendo regido por narrativas íntimas e emocionadas.
O documentário é um projeto contemplado pelo Prêmio de Estímulo a Curtas Metragens, do Museu de Imagem e do Som, e reuniu em sua equipe grandes nomes da fotografia no Pará, como Alberto Bitar, Armando Queiroz e Octávio Cardoso. (Diário do Pará)
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