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CINEMA

Terceiro 'Crônicas de Nárnia' estreia nas telonas

Quando se trata de conhecer a Deus, toda a iniciativa depende d’Ele, dizia C.S. Lewis. “Se Ele não quiser se revelar, nada do que fizermos nos permitirá encontrá-lo.” Lewis foi um estudioso da Bíblia. Contemporâneo de J.R.R. Tolkien, desenvolveu extensa c

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Quando se trata de conhecer a Deus, toda a iniciativa depende d’Ele, dizia C.S. Lewis. “Se Ele não quiser se revelar, nada do que fizermos nos permitirá encontrá-lo.” Lewis foi um estudioso da Bíblia. Contemporâneo de J.R.R. Tolkien, desenvolveu extensa correspondência com o autor da saga “O Senhor dos Anéis”. Eram ambos eruditos. Eventualmente discordavam - em alto estilo. “O Senhor dos Anéis” virou trilogia de Peter Jackson e o episódio final, “O Retorno do Rei”, foi premiado pela Academia de Hollywood. Lewis escreveu uma saga juvenil em sete volumes. Hollywood interessou-se por suas “Crônicas de Nárnia”. Estreia nesta sexta-feira (10) o terceiro filme da série, “A Viagem do Peregrino da Alvorada”, assinado por Michael Apted.

É o primeiro na Fox e a empresa lança o filme em cópias planas e 3-D, em versões dubladas e legendadas. Começa com Lucy e Edmund entrando com o primo num quadro que mostra um navio no mar. O navio é o Peregrino da Alvorada e o trio embarca com o príncipe Cáspian numa aventura que os leva a enfrentar feras do mar, dragões e até um gigante chamado Tritão. Mas o pior inimigo nessa jornada para restabelecer a paz em Nárnia - num momento em que o próprio mundo está em guerra - é sempre interno. Lucy, por exemplo, quase se deixa perder pela inveja, ou pelo ciúme. Como sempre, o leão, Aslam, representa o divino, a sabedoria. Em vez do Cordeiro de Deus, Lewis criou Aslam para ser a entidade superior de Nárnia.

Lewis buscava na religião e na literatura o consolo para o sofrimento que considerava inerente a toda experiência humana. Nem sempre foi assim. Sua biografia se chama “O Mais Relutante dos Convertidos”, justamente por causa das dúvidas e do ateísmo que o acompanharam após a conversão. Como homem de cultura, e sensibilidade, Lewis nunca deixou de tratar a religião com as chaves de Freud. A Bíblia lhe interessava também como fonte de mitos, como linguagem. Em relação à sua obra, a revelação se faz no sentido inverso ao que ele dizia que deve marcar a aproximação do homem de Deus. Se o leitor não se abrir para seus mistérios, se insistir que tudo aquilo é bobagem e que a fantasia não é um instrumento de investigação do real, não vai conseguir desfrutar o que “O Peregrino” pode oferecer. (AE)

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