Incansável. Em “72 Horas”, Crowe é John, um professor de Literatura que se transforma em um gênio do crime para conseguir entrar em uma prisão de segurança máxima na Pensilvânia a fim de libertar Lara, sua mulher, acusada, a seu ver injustamente, de assassinar a chefe após uma discussão. Quando a Justiça ianque os deixa ao deus-dará, ele se divide entre os cuidados com o filho pequerrucho e as maravilhas da internet. No YouTube, descobre como fazer cópias ilegais de chaves. Pela Amazon, encontra o memorialista - vivido por Liam Neeson - que detalha sua fuga de sete penitenciárias. E o Google indica o caminho para descobrir como arrombar carros com uma bola de tênis.
O crítico A.O. Scott, do “New York Times”, destacou que o principal aspecto subversivo de “72 horas” é justamente o fato de se traduzir em uma espécie de “manual para o criminoso amador”. O venerando “Código de produção de filmes de Hollywood”, que acende a luz vermelha para a “apresentação explícita de métodos criminosos” na tela, foi deixado de lado por Haggis.
Vencedor do Oscar por “Gladiador” e indicado por “Uma mente brilhante” e “O informante”, Crowe acredita que a transformação de John não é um bicho de sete cabeças. “Meu trabalho foi fazer o público acreditar nele, em seus motivos. A audiência pode até não concordar com os atos dele, mas explicito sua crença, sua confiança irrestrita na mulher. Ele sabe que ela é inocente e é por isso que vai pesquisar uma maneira de tirá-la da prisão. E o mero fato de ele seguir em frente, depois de as coisas não funcionarem, revela o cerne de sua transformação: sua persistência”.
O ator conta que encontrou no casamento dos pais a inspiração para o profundo comprometimento entre seu personagem e o de Elizabeth Banks. “Em novembro meus pais comemoraram 49 anos de casamento. Tive a sorte de ter sido criado em um lar cujo valor mais importante era o compromisso estabelecido pelos dois, para tempos bons e ruins. Foi o que mais me atraiu no personagem”.
Durante as filmagens, em Pittsburgh, uma cidade operária, por décadas o maior centro siderúrgico do planeta, Crowe ficou afastado da família - a mulher, Danielle, 41 anos, e os filhos Charles, 7, e Tennyson, 4:
“Foram 87 dias contados nos dedos. Acabei me inspirando nessa distância real para construir as ansiedades do John. Sei que parece simplista, mas também encontro inspiração para meus trabalhos no presente, no que acontece no momento em que estou filmando”. Leia mais no Diário do Pará.
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