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CINEMA

Xenofobia? Polêmicas rondam Homem Morcego

Longe de Gotham City, em território francês, o Homem-Morcego tem pela frente um problemão para Coringa algum botar defeito: enfrentar o preconceito étnico contra seu mais novo aliado nos gibis, o vigilante de origem argelina Nightrunner. Lançado na mais r

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Longe de Gotham City, em território francês, o Homem-Morcego tem pela frente um problemão para Coringa algum botar defeito: enfrentar o preconceito étnico contra seu mais novo aliado nos gibis, o vigilante de origem argelina Nightrunner. Lançado na mais recente série do cruzado de capa, batizada de “Batman Inc.”, o novo personagem é um muçulmano sunita chamado Bilal Asselah. Ele tem despertado o ódio de uma ala mais radical de leitores da França, por representar uma reação das histórias em quadrinhos à xenofobia contra imigrantes islâmicos no Velho Mundo. Alvo de reclamações em blogs e sites especializados, Asselah vem motivando fotomontagens na internet com a fusão do rosto de Osama Bin Laden com o capuz do Batman, que pagou o pato pela intolerância alheia. Desrespeitosa contra o roteirista David Hine, que escreve as atuais HQs do Batman, a associação entre Nightrunner e Bin Laden inflamou o debate acerca do preconceito contra o Islã nos gibis. O estopim da polêmica aconteceu quando Hine divulgou que descartou a ideia de escalar como “protegido” do Homem-Morcego na Europa o Mosqueteiro, um super-herói de Paris pouco expressivo entre os gibimaníacos americanos, mas querido na França.

Originalmente, antes de vestir o uniforme de Nightrunner, Asselah era apenas um morador da periferia de Paris, que cresceu na região de Clichy-Sous-Bois, testemunhando agressões da polícia parisiense contra moradores egressos da Argélia, do Marrocos e da Tunísia. Uma noite, após um atentado contra uma delegacia na qual seu melhor amigo morre, Asselah decide que é preciso reagir para proteger sua vizinhança. Ele inicia então um treinamento em parkour (modalidade esportiva de saltos de risco) e em técnicas de luta.

Entre os gestos de retaliação a Nightrunner, o mais agressivo foi a criação de uma capa “pirata”, desenhada por leitores, na qual Batman se lamenta da aliança com o justiceiro ao descobrir que ele explodiu a Torre Eiffel num ato terrorista. Em entrevistas, David Hine explicou que Asselah não surgiu como provocação e sim como um convite à reflexão sobre a exclusão contra grupos estrangeiros de diferentes etnias. (Diário do Pará/AG)

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