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CINEMA

Éder Jofre, um lutador

Soou o gongo para “10 segundos”, a cinebiografia do primeiro brasileiro a se tornar campeão mundial de boxe, o paulista Éder Jofre, que entra em fase de captação. De um lado do ringue — o dos produtores —, com um currículo pesando 5.884.935 espectadores,

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Soou o gongo para “10 segundos”, a cinebiografia do primeiro brasileiro a se tornar campeão mundial de boxe, o paulista Éder Jofre, que entra em fase de captação. De um lado do ringue — o dos produtores —, com um currículo pesando 5.884.935 espectadores, entra Breno Silveira, realizador de “2 Filhos de Francisco” (2005) e “Era uma vez” (2008). Do outro — o dos cineastas —, com décadas de experiência na publicidade, entra Chico Abreia, um estreante em longas-metragens que vai dividir a direção com Walter Carvalho (“Budapeste”). Nas cordas, aquecendo-se para assumir o papel do boxeador que, ao longo de 81 lutas, contabilizou 75 vitórias, quatro empates e somente duas derrotas, entra Thomas Stavros, ator, diretor teatral e dramaturgo de 34 anos. Na tela grande, seu rosto não é conhecido. Mas sua história lembra um bocado a de Sylvester Gardenzio Stallone nos tempos em que o eterno Rambo batia à porta dos estúdios de Hollywood com o roteiro de “Rocky, um lutador” (1976) debaixo do braço.

— Durante anos, muita gente me procurou querendo filmar a história da minha vida, mas eu não sentia confiança em ninguém. Já o Thomas... o achei uma pessoa honesta, determinada — diz Éder Jofre, contemplado no último dia 20 de dezembro com o Prêmio Adhemar Ferreira da Silva, concedido pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) em honra ao cinquentenário do primeiro de seus dois títulos como campeão do mundo, conquistado em 18 de novembro de 1960, em Los Angeles, como pesogalo, contra o mexicano Eloy Sanchez.

Vivendo nos Jardins, bairro de São Paulo, Éder foi procurado por Stavros no fim de 2007. O rapaz queria conhecê-lo, sonhando levar às telas sua trajetória, começando por sua infância pobre em Parque Peruche, na Zona Norte paulistana, até chegar a combates lendários como a peleja contra Eloy Sanchez, que beijou a lona após um cruzado de direita na boca. Também cinematográfico, o segundo mundial de Éder, como peso-pena, veio em 1973, contra o cubano naturalizado espanhol Jose Legra.

— Um dia, tive um sonho no qual estava em cima de um ringue, lutando boxe, e as pessoas da plateia me chamavam de Jofre. Era um sinal. Ali, eu parei tudo e fui atrás do Éder — conta Stavros, que ficou cinco anos em cartaz com a peça “Clube Privê — Uma comédia nos loucos anos 70”. — Um dia, com a ajuda do desembargador Ary Casagrande, que é amigo do Éder, o campeão topou me receber. Na conversa, quando eu expliquei minhas intenções, o Éder disse: “Tudo bem, pode fazer um filme sobre mim. Mas eu quero que você faça o meu papel. Você conquistou esse direito.” Foi uma alegria. Mas eu deixei claro para ele: “O difícil é que eu não sou um ator conhecido.” Aí, Éder virou e disse: “Rapaz, antes de eu ser campeão do mundo, eu também não era ninguém. Você vai conseguir”. (Diário do Pará/AG)

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