De tanto querer fazer sensação no maior festival de cinema do mundo, Lars Von Trier terminou vítima do próprio exibicionismo. É verdade que o clima ajudou. Tudo o que a imprensa queria era um refresco do caso que mobiliza os franceses - as acusações de assédio sexual, num hotel de Nova York, que estão acabando com a carreira do presidenciável Strauss-Kahn. Lars forneceu os ingredientes, e agora paga por isso.
Não adianta ele ter divulgado uma nota, dizendo que não é racista (nem nazista) e desculpando-se pelo mal que suas declarações de quarta-feira (18) possam ter causado. Rememorando o caso - durante a coletiva sobre o seu novo filme, o belo “Melancolia” (cujas qualidades passaram para o segundo plano), ele disse que compreendia Hitler e, “mesmo que tenha feito coisas ruins, simpatizo com ele”. Ontem pela manhã, a cúpula do festival reuniu-se em caráter de emergência e Lars Von Trier, depois de anos sendo o queridinho do presidente do evento, Gilles Jacob, virou persona non grata.
Filme foi bem cotado pela crítica
No site do festival - www.festival-cannes.fr -, a nota enfatiza que as declarações do “sr. Von Trier” estão na contramão de tudo aquilo que Cannes defende (humanidade, tolerância, etc.). Bye-bye, Palma de Ouro, ou será que o júri presidido por Robert De Niro vai enfrentar Jacob, a comunidade israelense, qualquer pessoa de bom senso que ache que o diretor dinamarquês se excedeu? E Lars estava sendo sincero ou só querendo criar um “caso”? Essa é a pergunta que todos se fazem, e que com certeza vai ficar deste festival.
Ele estava, de qualquer maneira, num dia de humor meio pesado. Anunciou que seu próximo filme será um pornô, cheio de sexo explícito e com mais de quatro horas - haja Viagra! -, para satisfazer os desejos secretos da atriz Kirsten Dunst, que faz uma das irmãs de “Melancolia”. Kirsten segurou a onda, mas quando o diretor elogiou Hitler, ela levou as mãos ao rosto e deu para ouvir seu desabafo - “Oh, God”. (AE/ Diário do Pará)
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