“Eu Vou de Volta”, road movie dos pernambucanos Camilo Cavalcante e Cláudio Assis, é a atração de hoje do Cineclube Alexandrino Moreira . Os diretores viajaram simultaneamente em dois ônibus clandestinos para registrar histórias da migração nordestina no Brasil. Eles fizeram o percurso de ida e volta de São Paulo a Caruaru, em Pernambuco, entrevistaram os passageiros e o motorista do ônibus, em busca de suas histórias. “Captamos muitos flagrantes, porque chegou uma hora da viagem em que as pessoas não posavam mais para as câmeras”, relata Camilo.
Em atividade desde 1995, o curta-metragista incentivou cineastas pernambucanos que, já em sua segunda geração, intensificaram a produção no estado. “A paixão que Camilo tem pelo cinema serve de inspiração até para a geração que antecedeu à dele. Ele é um sujeito que se movimenta, respira e sonha a 24 quadros por segundo”, enaltece o cineasta Lírio Ferreira, diretor de “Árido movie” (2004) e “O homem que engarrafava nuvens” (2008).
Diretor de “Amarelo manga” (2002) e “Baixio das bestas” (2007), Cláudio Assis, que assina com Cavalcante o documentário “Eu vou de volta”, faz coro a Lírio Ferreira: “Camilo é um cineasta que não para de ter ideias, é uma pessoa que está sempre se reinventando, além de ser um grande amigo”. Os elogios talvez sejam resultado da paixão que o pernambucano coloca em seus filmes.
Para ele, sua maior inspiração é o ser humano. “Faço filmes de gente e para gente, gosto dessa possibilidade do cinema de tocar profundamente as pessoas. É uma capacidade de revolucionar, de certa forma, a vida de cada um”, ressalta Cavalcante. “Também me inspira o que consegue me comover.
Para o diretor, fazer filmes em Pernambuco não é tão diferente de outros lugares do Brasil. “Fazer cinema independente é complicado em qualquer lugar, encontramos uma série de restrições na hora de conseguir apoio, patrocínio. Mas está melhor do que há 10 anos. Hoje em dia existem mais editais, tanto nacionais quanto estaduais”, compara.
Cavalcante destaca a versatilidade da nova geração de cineastas pernambucanos, que acompanha de perto:
“O grande mérito da produção de Pernambuco é justamente a diversidade. Aqui não existe um movimento coeso, uníssono, existe na verdade várias movimentações, pessoas com diferentes propostas artísticas. Isso fortalece muito o nosso cinema”.
O SERTÃO
Cavalcante não acredita que o tema do sertão esteja desgastado. Para ele, ainda há muito que se explorar, desde que seja feito através de novas abordagens. “O sertão é muito mais que uma zona geográfica seca, árida. Ele representa um território da alma humana, das relações olho no olho, uma coisa sincera. Essa região emocional dá muito pano para a manga. O que está desgastado é uma abordagem estereotipada do personagem sertanejo”.
ASSISTA
Cineclube Alexandrino Moreira
exibe o filme ‘Eu Vou de Volta’. Sessão às 19h com entrada franca. (Praça Justo Chermont, 236 - ao lado do Santuário de Nazaré).
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