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CINEMA

Documentário sobre a Índia no Centur

A Índia é um país que fascina pela mistura de cores, cheiros e sabores que permeiam o imaginário das mil e uma noites. Sua cultura ancestral, conhecida superficialmente no lado ocidental do globo, está no cerne da pesquisa desenvolvida pelo coletivo Etnof

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A Índia é um país que fascina pela mistura de cores, cheiros e sabores que permeiam o imaginário das mil e uma noites. Sua cultura ancestral, conhecida superficialmente no lado ocidental do globo, está no cerne da pesquisa desenvolvida pelo coletivo Etnofoco, durante uma década. O resultado poderá ser conferido hoje na galeria Theodoro Braga (Centur), com a exibição do curta-metragem “Cinzas Sagradas na Era de Kali”, seguida de palestra do francobrasileiro Olivier Boëls, fotografo e diretor da obra. Ao lado da esposa, a antropóloga Lena Tosta, ele conviveu com os míticos ascetas hindus, aprendeu seus hábitos, presenciou seus rituais como a colocação das cinzas sagradas em seus corpos esbeltos, e saiu de lá com um material intenso.

Estabelecendo um ponto de contato entre a fotografia, a antropologia e o vídeo, Olivier coloca em evidência as cinzas sagradas ao capturar os ascetas em preto e branco, o que desencadeia imagens simbólicas que refletem a intenção da permanência desses ‘homens santos’ e a eficácia de suas presenças para os adeptos da cultura hindu. “Eles utilizam as cinzas sagradas para tornarem-se o que não é tangível nem intangível, nem preto nem branco”, frisa Lena Tosta no texto de apresentação do filme.

Exibido no Musée du Quay Branly, em Paris, durante o colóquio internacional “Reflexão sobre imagens para uma combinação da fotografia e do filme”, “Cinzas Sagradas na Era de Kali” provocou muita discussão em torno de imagens que tocam, por mostrar uma percepção de mundo única e dissidente. Os sadhus nagas e aghoris que aparecem no filme do casal, são os iogues extremos que povoam o imaginário, homens que praticam uma sabedoria tradicional, vistos pelos ‘de fora’ como loucos e ermitões, mas que fazem da experiência terrena uma forma de transceder a própria existência e sua dualidade – a dor e o prazer, a violência e o amor, a vida e a morte.

Produzindo pesquisas com produção de imagens que sensibilizem o maior número de pessoas para a abrangência da experiência humana, eles ainda utilizam a produção imagética de maneira a retroalimentar a pesquisa antropológica em muitos aspectos. E além disso, através do material que geram, promovem o diálogo intercultural para um público mais amplo que o acadêmico. Em resumo, o que o Etnofoco propõe é uma reflexão acerca da hibridização de linguagens e das especificidades das imagens fixas e animadas. Por essa premissa transgressora e artisticamente relevante, o trabalho desenvolvido em “Cinzas Sagradas na Era de Kali” foi convidado para integrar a programação paralela da exposição de fotografias “100menos10”. (Diário do Pará)

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