O Cine Estação das Docas exibe, a partir desta quinta-feira (5), o grande vencedor do Oscar 2012 na categoria de melhor filme estrangeiro: o polêmico “A Separação”, do diretor Asghar Farhadi.
No enredo, Simin (interpretada por Leila Hatami) quer se separar de Nader (Peyman Moadi) para ir morar no exterior junto com a filha Termeh (Sarina Farhadi). Mas a mulher precisa que o marido autorize a viagem da filha. Além disso, uma mulher só pode viajar sozinha se for solteira.
O marido aceita o divórcio, mas se recusa a permitir que filha viaje. Sem acordo, Simin continua casada, mas vai para a casa da mãe. Nader até cogita a possibilidade de se mudar com a mulher e a filha para o exterior, mas não naquele momento. Ele tem de ficar no país para cuidar do pai que sofre de Alzheimer. Com a saída da mulher de casa, Nader contrata uma governanta para cuidar do pai. Sem nenhuma experiência, Razieh (Sareh Bayat), que é uma muçulmana muito devota, não conta para o marido que está trabalhando na casa de um homem recém-separado para cuidar de outro homem, mesmo que este seja um velho doente.
Com essa premissa, o diretor desenvolve uma trama que envolverá toda a família de Nader e a da nova empregada. Para piorar, a governanta só aceita o emprego para ajudar o marido, afundado em dívidas, e tem uma filha pequena que leva junto ao trabalho.
Ao encontrar o pai doente caído dentro de casa, Nader demite a empregada, que se recusa a sair de sua casa sem antes receber o pagamento. Ao ser empurrada para fora, Razieh cai da escada e vai parar no hospital, alegando que sofreu um aborto. Mas ninguém sabia que ela estava grávida. Para o marido dela, no entanto, o mais grave não foi o aborto e, sim, ela trabalhar na casa de um homem separado. Boa parte do filme se desenvolve em uma salinha improvisada dentro do fórum onde funciona um tribunal.
VALORES
Para o público ocidental, pode ser difícil lidar com essa diferença de valores. Naquela cultura, para o homem, é mais importante que sua mulher não tenha contato com outro homem do que ser agredida. Mesmo quando o motivo seja trabalhar para auxiliar um ente familiar endividado. Vale destacar como o diretor encaminha a história e cria diversas tramas e subtramas a partir de um detalhe que parece absolutamente simples para nós, ocidentais: uma separação. O resultado são ótimas atuações, um enredo realmente surpreendente e uma história que prende a atenção do espectador do início ao fim.
Além do Oscar de melhor filme em língua não inglesa, o longa arrebatou o Urso de Ouro no Festival de Berlim, mais o Prêmio Ecumênico do Júri, e o Urso de Prata nas categorias ator (Peyman Moadi) e atriz (Leila Hatami).
ASSISTA
“A Separação” (Irã, 2010). Direção e roteiro: Asghar Farhadi. Censura: 12 anos. Estreia hoje no Cine Estação das Docas, com sessões às 18h e 20h30, até sábado. No domingo, sessões às 10h, 18h e 20h30. O filme volta a ser exibido na próxima semana, de quinta (12) a domingo (15). Ingressos a R$ 7 (com meia-entrada para estudantes). (Diário do Pará)
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