O conjunto da obra do carioca Cildo Meireles é importante referência para a história da arte brasileira. No documentário “Cildo”, lançado em 2009 e dirigido por Gustavo Rosa de Moura, além de abordar como suas criações conceituais e multimídias são realizadas, há uma imersão em sua biografia. O filme é um dos que serão exibidos no Metaesquema - Mostra de Documentário Sobre Arte Contemporânea, promovida pelo Núcleo de Produção Digital da Fundação Cultural do Pará, de amanhã até quinta-feira, às 19h, na Casa das Artes, em Belém. A entrada é gratuita.
“Cildo é tido como um artista político, mas na sua fala se afasta daquilo que seria uma arte panfletária. Seus trabalhos parecem suscitar questões que reverberam tanto em nossa história social quanto na atualidade de suas produções. Investigando noções de tempo, de espacialidade, materialidade e pensamento, suas obras abarcam uma diversidade de técnicas e meios, quase sempre em proposições lúdicas que, para além das questões trabalhadas, estimulam o espectador a ampliar seus sentidos através da fruição”, comenta o artista José Viana, que será debatedor durante a exibição do documentário.
Viana diz que pretende levar para a discussão questões que podem ser identificadas no filme, como uma certa ideia de democratização provocada pela arte conceitual, já que para que se realize esse tipo de arte qualquer material pode ser utilizado, de acordo com Cildo. “Isso certamente, alavanca a possibilidade de produzir, inclusive preso dentro de uma cela, mas abre um campo amplo, que dificulta uma possível avaliação da qualidade, o que para alguns se torna um problema”, pondera José Viana.
“É possível vivenciar, inclusive, uma das obras do Cildo, aqui e agora, neste jornal, através, por exemplo de sua proposição de ‘Estudo para Espaço’, onde Cildo sugere “num lugar qualquer, fechar os olhos e estabelecer uma área delimitada pelos sons que os ouvidos possam alcançar”, diz.
Também integram a programação os documentários “A Paixão de JL”,de Carlos Nader, e “Shoot Yourself”, de Paula Alzugaray e Ricardo Van Steen, e que serão debatidos pelo artista Wellington Romário e pelo poeta Marcílio Costa, respectivamente. O primeiro mostra as gravações feitas por José Leonilson, artista cearense que, em 1990, passou a gravar em fitas cassetes narrações sobre sua vida e os acontecimentos no Brasil e no mundo. O longa-metragem apresenta os últimos três anos de vida de Leonilson, que morreu após contrair o vírus HIV. Nader era seu amigo e conseguiu o material com a família do artista. O diretor diz, em depoimento à revista “Dasartes”, que Leonilson aparece “alternando reflexões sobre sua intimidade e sobre o espírito de sua época, em um registro precioso em que um indivíduo especialmente sensível se relaciona com as grandes mudanças de seu tempo”. Leonilson fala de suas obras, da homossexualidade e de seus medos. “São assuntos tão diferentes quanto o Plano Collor, a Guerra do Iraque, filmes de Wim Wenders ou Derek Jarman, novelas da Globo, a tragédia da Aids ou o reino pop de Madonna”, completa.
Já “Shoot Yourself”, lan- çado em 2012, apresenta as possibilidades criativas da fotografia e da performance a partir do verbo “shoot”, em inglês, que na tradução para o português significa tanto “filmar” quanto “atirar”. Fazem parte do projeto os artistas Tania Bruguera (Cuba), Gary Hill (Estados Unidos), Esther Ferrer (Espanha), Calvacreation (França), Cripta Djan (Brasil), Rebecca Horn (Alemanha), Pipilotti Rist (Suíça), Paula Garcia (Brasil) e Ghazel (Irã).
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(Dominik Giusti/Diário do Pará)
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