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O Teatro Mágico

 Fernando Anitelli canta em aldeia e assentamentos

Na última sexta-feira, 24, chegava à internet o videoclipe de “Esse Mundo Não Vale o Mundo”, do grupo O Teatro Mágico, na versão que integra o projeto “Voz e Violão”, encabeçado pelo vocalista Fernando Anitelli. No mesmo dia, no entanto, a ansiedade do

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Imagem ilustrativa da notícia  Fernando Anitelli canta em aldeia e assentamentos camera divulgação

Na última sexta-feira, 24, chegava à internet o videoclipe de “Esse Mundo Não Vale o Mundo”, do grupo O Teatro Mágico, na versão que integra o projeto “Voz e Violão”, encabeçado pelo vocalista Fernando Anitelli. No mesmo dia, no entanto, a ansiedade do músico estava em chegar ao Pará. Enquanto aguardava o voo, ele contou em entrevista ao Você suas expectativas para essa viagem, na qual, além de trazer para Marabá a turnê acústica, se preparava para visitar dois assentamentos do MST, em Eldorado do Carajás, e a Aldeia Môxkàrkô, hoje, em São Félix do Xingu.

“A gente vai ter ali uma troca, um intercâmbio cultural com essa galera. A gente está sempre batalhando junto com os movimentos populares, sempre de coração aberto para agregar nas demandas que esse povo precisa, seja de saúde, de educação, de moradia, de uma vida melhor. E a maneira que a gente pode fazer isso é através da arte da poesia, da música, do circo. E é o que a gente vai fazer”, afirmou Anitelli, na véspera do encontro, marcado para ontem, 26, nos assentamentos Hugo Chaves e Dalcídio Jurandir, do MST.

Acompanhado de Andrea Barbour, performer d’O Teatro Mágico, ele conta que ambos aceitaram ao convite sem preparar nada específico para o encontro. Anitelli já havia se apresentado em alguns acampamentos do MST e outros movimentos campesinos, assim como no Fórum Social Mundial e outros encontros do gênero. Ele lembra ainda que, junto com o Teatro Mágico, gravou “Canção da Terra”, um hino dos movimentos campesinos há mais de 10 anos.

“Essa música fez um sucesso danado, foi para novela da Globo. O autor dela é o gaúcho Pedro Munhoz, amigo nosso, um trovador supertalentoso. E tem aí essa relação nossa com os movimentos campesinos também, de muita admiração pela luta. A gente sabe que a agricultura familiar é fundamental para o nosso país, para o que chega no nosso prato de comida. Devemos muito à agricultura familiar e não ao agronegócio somente. Então é com esse espírito, com esse propósito de aprender, de trocar, de poder conjugar um verbo em comum com toda essa galera que estamos indo, essa é a nossa expectativa”, diz ele.

ALDEIA

Hoje e amanhã, sua estadia é junto aos Kayapó, na Aldeia Môxkàrkô. O que, ele acredita, será uma experiência inesquecível. “Eu nunca tive a oportunidade de passar um tempo com os povos originários, fazer esse intercâmbio cultural”, comenta. Quando questionado se pretende tocar as canções d’O Teatro Mágico para eles, Anitelli diz que prefere manter-se em aberto sobre que virá do encontro.

“Eu estou chegando muito no intuito do aprendizado, de ouvir eles, e somar da maneira mais justa, mais bacana possível. Eu não quero ultrapassar nenhum limite em relação a esse contato. Para mim é algo sagrado que vai acontecer, então, é com esse espírito. Para mim vai ser um rito de passagem esse tempo que eu estarei ali com eles, sem dúvida, algo inesquecível na minha vida”, afirma o vocalista.

Receber e aceitar esse tipo de convite - que veio da Prefeitura de São Félix do Xingu, a partir da notícia de que ele realizaria o show em Marabá, na última sexta-feira, 25 - é algo que se relaciona completamente com o seu fazer artístico. “Eu escrevo o que eu vivo, o que eu penso. Escrevo fantasias, quimeras e as coisas que acontecem com a gente, que nos afetam, que nos sensibilizam, são traduzidas nas músicas. Acaba sendo inevitável”, afirma.

Mesmo sem saber como será exatamente o encontro com os Kayapó durante esses dois dias, ele diz que fica a certeza de uma grande ansiedade. “Eu estou no aeroporto, a caminho do Pará. Mas, realmente, já muito ansioso porque sei que coisas incríveis irão acontecer e, sem dúvida nenhuma, a reverberação disso vai sair em música, poesia, performance, que é a maneira que eu consigo traduzir minha experiência de vida”, diz ele.

Na verdade, muito em breve talvez seja possível ver algo disso em seus futuros trabalhos. Ele conta que depois de encerrar essa primeira etapa da turnê “O Teatro Mágico - Voz e Violão”, a trupe toda volta a se reunir para trabalhar em seu próximo álbum, com direito a turnê nacional, todo mundo participando. “E ainda temos que realizar o lançamento do DVD da turnê ‘Voz e Violão’, manter algumas apresentações desse trabalho acústico. E outras cositas mais (risos), que ainda estão aqui no esboço”, diz ele.

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