'NÁRTEX'

Espetáculo online fecha trilogia teatral sobre Céu e Inferno

Companhia Paraense de Potoqueiros encerra trilogia baseada na "Divina Comédia", de Dante Alighieri

sábado, 11/09/2021, 19:16 - Atualizado em 11/09/2021, 19:37 - Autor: DOL


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| Divulgação

Quem merece, após a morte, ir para o Paraíso? Aqueles que se entregam a determinada religião ou os que praticam a caridade só para ter a redenção divina? Foi a partir desses questionamentos que a Companhia Paraense de Potoqueiros criou, há cerca de quatro anos, a peça ‘Lúgubre’, primeira parte de uma trilogia baseada na ‘Divina Comédia’. O último ato dessa odisséia será apresentado ao público paraense neste sábado (11), às 20h, em uma peça online. 

‘Nártex’ é o nome escolhido para o terceiro espetáculo baseado nas obras do italiano Dante Alighieri e que marca o encerramento da trilogia do grupo cênico paraense. As duas peças anteriores foram ‘Lúgubre’, de 2017, e ‘Catarse’, de 2019. Cada uma das produções englobou 33 cantos da “Divina Comédia”. 

O nome do espetáculo, ‘Nártex’, faz referência à entrada da estrutura dos templos religiosos, simbolizando o Paraíso. Nas igrejas, é a entrada do ocidente, destinada aos pecadores, impuros, mulheres, os que não foram batizados e outras pessoas que não eram admitidas para o convívio com os demais ao adentrar na igreja.

“O objetivo do espetáculo é mostrar o paraíso de verdade, mostrar quem são as pessoas que são recebidas nele, quem são as pessoas que estão neste paraíso. Quem nos conduz por esta viagem é o ‘Salvador’, personagem que é vivenciado por todos os atores do espetáculo”, explica o artista Breno Monteiro, que também é o responsável pela direção e iluminação do espetáculo.

“Em Lúgubre, o ‘Salvador’ nos convida a observar a realidade da sociedade e como a crueldade está tão presente no cotidiano, se tornando comum. Em Catarse, ele nos mostra os 7 pecados capitais, mostrando que o pecado está mais próximo do que se pensa, desnudando a verdade e a mentira”, explica Breno Monteiro

“Em Nártex, o final de sua viagem pelo mundo espiritual, ‘Salvador’ irá nos mostrar o paraíso, o que muitos acreditam sobre ele, mas que na verdade, é uma outra realidade, muitas vezes mascarada. O paraíso não é feito daqueles que se entregam a uma religião, não é daqueles que deturpam o que está nas escrituras sagradas, não é daquele que faz uma boa ação esperando reconhecimento. Então para quem é o Paraíso?’, provoca o artista. 

O projeto foi aprovado na Lei Aldir Blanc, por meio da Secult/PA, pelo artista Breno Monteiro, que é também o responsável também pela direção e iluminação do espetáculo. A produção e sonoplastia são de Lauro Sousa. Breno e Lauro também assinam a dramaturgia encenada. 

Na atuação, o espetáculo conta com Eliane Gomes, Érika Mindelo, Fernando Sarmento, Giscele Damasceno, Isabel Hass, Kate Por Deus, Leonardo Sousa, Luana Oliveira, Nilton Cézar e René Coelho. 

A cenografia e figurinos são de Lucas Belo. O visagismo é de Thaís Sales. O espetáculo tem apoio do Espaço das Artes de Belém, e a realização é da Companhia Paraense de Potoqueiros.

A transmissão do espetáculo será neste sábado (11), às 20h e ficará disponível no site do Espaço das Artes de Belém (www.espacodasartesdebelem.com.br)

TRILOGIA

O objetivo da trilogia - ‘Lúgubre’, ‘Catarse’ e ‘Nártex’ - é contestar a realidade do homem como ser social e mostrar que as atitudes tomadas podem gerar efeitos, sejam eles bons ou ruins. 

“Lúgubre trouxe na sua essência toda a crueldade humana, mostrando que o homem pode ser perverso sem precisar de muito esforço. Catarse, por sua vez, trouxe a vivência humana que tenta ponderar e expurgar os seus males, convidando o público à análise do que é verdade ou mentira. Nártex traz à tona a realidade dos excluídos, dos injustiçados, um grito sufocado de muitos, uma plenitude de poucos”, conclui Breno Monteiro.

UM TRAJETO ENTRE A PANDEMIA

De Lúgubre até a Nártex, foram cerca de quatro anos, período marcado pelo surgimento da pandemia da Covid-19 e a reinvenção das atividades cênicas da Companhia de Potoqueiros: o fechamento da trilogia será em formato online, bem diferente dos dois primeiros. 

“Tem sido bem difícil passar por essa pandemia. Ficamos preocupados com o risco de ida e volta para os ensaios, em ter que manter a distância, sobre o uso das máscaras. O setor artístico foi um dos primeiros a parar e, se não trabalharmos, não temos de onde tirar recursos. Além de termos que nos adaptar a situação das apresentações online, sem público”, comenta o produtor do espetáculo, Lauro Sousa. 

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