‘Égua’, ‘paidégua’, ‘vem timbora’, ‘não que não’. Essas e tantas outras expressões são bastante populares entre os paraenses. Mas nos últimos anos, uma outra frase passou a incorporar o número de expressões e gírias no Estado: o ‘endoida ca$%#o’.
Criado no universo das festas de aparelhagens, a expressão virou uma espécie de grito de guerra dos participantes destes eventos. Estimulados pelo Dj, todos entram em frenesi entoando o ‘endoida’.
“ENDOIDA, CARALHO” é o grito de guerra do paraense em qualquer musica de sucesso e em qualquer tipo de festa, principalmente de aparelhagem, e nas periferias de Belém e interiores do estado.
— re ☭ (@Renanmdantas) November 30, 2021
Segue um trecho que ocorreu de um remix do Alok, no carnaval do interior do estado. pic.twitter.com/cCsslYy2Nz
Será que foi o Léo Santana que apresentou o endoida caralho pro Pedro Sampaio ??????
— EMELIN (@emelinsousa) November 30, 2021
pic.twitter.com/HVhrKIYKPu
Este mês a frase ultrapassou as barreiras do Estado e foi parar em muitos shows pelo Brasil. Depois que Anitta gravou o videoclipe de ‘No chão novinha’, com cenas gravadas no Ver-o-Peso e na Vila da Barca, se apaixonou pela gíria e a transportou para suas apresentações.
Vídeo: Anitta "endoida" e agradece recepção no Pará
A funkeira foi gravada em alguns shows usando a expressão paraense e contagiando o público em algumas regiões brasileiras. Tão logo os vídeos passaram a circular nas redes sociais, internautas paraenses passaram a questionar se existe a possibilidade de ‘patentear’ a expressão, para evitar que ela seja ‘roubada’ por outros Estados.
O endoida caralho no final do clipe sério gente eu amo meu Pará pic.twitter.com/hvwdsR1MCK
— 𝐊𝐄𝐕𝐄𝐋𝐋𝐘𝐍. (@saturnchicooky) December 10, 2021
@Anitta vai fazer o Brasil inteiro gritar Endoida Caralho 🗣️😂❤️ pic.twitter.com/WqPGLUJSiK
— Viggo (@matheusviggo) December 12, 2021
A mestre em Propriedade Intelectual e Inovação Sheila de Souza Corrêa de Melo, paraense especialista na área, gravou um vídeo no canal Propriedade Intelectual Fora da Caixa, no Youtube, para esclarecer as dúvidas que surgiram sobre a tal possibilidade.
“Outras pessoas podem usar? Podem pessoal, ninguém vai poder dizer que é dono da expressão. Eu não posso proteger por direito autoral, porque não conseguimos identificar quem foi o autor, a primeira pessoa ou coletivo a dizer. Não temos como provar. Como esse coletivo vai fazer a proteção pra que outras pessoas não falem e não utilizem a expressão?“, diz Sheila.
Para a especialista, a ideia de patente é algo sem sentido para o contexto das expressões populares e o melhor a se fazer é deixar que o ‘endoida ca%$#o’ ganhe o Brasil e o mundo.
“Descarta essa ideia de direito autoral, de patente, porque a patente é pra resolver um problema técnico. Ninguém vai conseguir segurar uma expressão como essa, deixa tomar o mundo, deixa todo mundo conhecer o Crocodilo, nossas festas de aparelhagens”, diz.
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