
Em meio à tristeza pela notícia da morte de um dos maiores ícones do carimbó, fica também a gratidão e a saudade de Mestre Damasceno, que morreu na última terça-feira, 26 de agosto. E para lembrar o grande legado deixado por ele, as homenagens devem se estender por todo o Pará nos próximos dias. Uma delas ocorrerá em Salvaterra, no Marajó, berço do ritmo que há 11 anos é patrimônio cultural do Brasil e cidade natal do artista. O projeto “Carimbó na Orla – Ritmo e Cores da Cultura Amazônica” promoverá apresentações na cidade, neste sábado, 30, dando continuidade à ação que já passou por municípios paraenses e maranhenses.
A apresentação começa às 19h, na Orla da Praia Grande, com a participação do grupo local Paracauari abrindo a noite. Depois, segue com o grupo Amazônia, da Região Metropolitana de Belém. Será a sexta apresentação do projeto, que já passou pelas cidades de Belém, Ananindeua e Salinópolis, no Pará, e São Luís e Alto Alegre do Pindaré, no Maranhão. O projeto tem patrocínio do Instituto Cultural Vale e do Ministério da Cultura, através da Lei de Incentivo à Cultura, e é realizado pela Intera Produções.
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De acordo com a coordenação, essa será uma forma de projetar e engrandecer a obra de Damasceno. “A gente vai homenagear com o repertório de música de carimbó dele. Falar da vida dele como ícone do carimbó na Ilha do Marajó, especificamente em Salvaterra. Será uma homenagem de surpresa”, adiantou Cristiano Aguiar, coordenador do projeto.
ARTE E SUPERAÇÃO
Mestre Damasceno, nome artístico de Damasceno Gregório dos Santos, faleceu na madrugada desta terça-feira, 26 de agosto de 2025, no Hospital Ophir Loyola, em Belém, por complicações associadas a um câncer metastático, pneumonia grave e insuficiência renal. Ele tinha 71 anos e teve uma trajetória notável como compositor e poeta, sendo figura emblemática da cultura marajoara e paraense.
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Nascido em 22 de julho de 1954, na comunidade quilombola do Salvá, em Salvaterra, Mestre Damasceno enfrentou a perda da visão aos 19 anos, mas encontrou na arte seu caminho — especialmente no carimbó, na poesia oral e no folguedo junino Búfalo-Bumbá, que ele fundou.
Ao longo de mais de cinco décadas de vida artística, compôs mais de 400 músicas e gravou diversos álbuns, deixando um legado cultural imenso. Ele foi reconhecido com a Ordem do Mérito Cultural em maio de 2025, mais alta honraria da cultura brasileira. Também teve sua obra declarada como patrimônio cultural imaterial do Estado do Pará, e foi homenageado na 28ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, pouco antes de sua morte.
Seu legado se mantém vivo não apenas nos ritmos do carimbó, mas em cada canto do Marajó, preservado por sua memória e arte. Ele era guardião das tradições, transformando sua história de vida em música, poesia, teatro e celebração popular.
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