Grandes jogos possuem uma tendência em criar fortes conexões emocionais com os gamers, e o “GoldenEye 007” original para Nintendo 64 foi certamente um deles, quando foi lançado em 1997.
Considerando o imenso sucesso do game e todas essas conexões pessoais, o novo “GoldenEye 007" para Wii (já disponível no Brasil) encontra uma batalha obviamente mais difícil. Não ajuda o fato de o novo título não ser nem um remake do jogo clássico nem uma nova adaptação do filme de 1995, que estrelava Pierce Brosnan como o agente, mas em vez disso ser um pouco das duas coisas, tendo sido trazido para os tempos modernos e com Daniel Craig (atual dono do papel nas telonas) como o protagonista da vez. Você irá reconhecer aspectos das fases, elementos da história principal e os adorados modificadores do modo de tela dividida, mas “GoldenEye 007” parece uma nova experiência, ainda que construída em um mundo e indústria já influenciados pelo sucesso e inovação do jogo original.
Apesar das consideráveis limitações técnicas do Wii e da eterna resistência em construir jogos “hardcore” na plataforma, o novo “GoldenEye 007” é um game de tiro bem construído que traz uma campanha sólida assim como um considerável pacote para o modo multiplayer online.
A campanha de “GoldenEye” traz os principais pontos-chave da trama do filme – seu ex-parceiro lidera um esquema para usar um satélite para ganhos pessoais – mas não se apóia neles. Se você conhece o ritmo da narrativa do anterior, ótimo; senão, o novo jogo te deixa focar na ação sem perder muito do apelo. Na maior parte, o game parece com um jogo de tiro muito típico, apesar de ter alguns elementos de um agente secreto. Você pode se agachar para movimentar-se sorrateiramente e tentar passar despercebido. Mas no restante do tempo é o modo tradicional de pé, mesmo com uma única missão de tanque colocada no meio das cerca de seis horas de campanha.
Algumas vezes o jogo se debate para conseguir criar uma atmosfera imersiva e realista, graças a falta de força de hardware do Wii, e o game sofre com uma inconsistente taxa de exibição de frames, pausas rápidas ocasionais e um visual geralmente pouco definido. Mas já tendo passado por muitas campanhas de tiro esquecíveis nos últimos meses, posso dizer honestamente que “GoldenEye” para Wii ao menos me mantém interessado a maior parte do tempo. Não tem o impacto duradouro do jogo original, mas com uma I.A. (inteligência artificial) esperta e desafiadora, eventos válidos e rápidos durante batalhas chave e uma sequência de fuga particularmente memorável, a campanha mostra mais cuidado e habilidade em sua criação do que qualquer jogo de Bond nos últimos anos.
Mas são os pequenos e inesperados detalhes que fazem a diferença: coisas como danos no ambiente que podem alterar significativamente sua tática, ou o uso do hit de dança “I Remember” (de Deadmau5 e Kaskade) em uma sequência numa boate em vez de uma batida qualquer genérica. No entanto, a campanha possui uma advertência: quando você está jogando no modo de dificuldade normal ou mais alto, não completar um dos objetivos secundários significa que será preciso reiniciar a missão ou diminuir para o nível mais fácil de dificuldade. Parece uma decisão impensada dos desenvolvedores que pune os jogadores que querem um desafio, mas não querem ficar com o fardo do que deveriam ser tarefas bônus opcionais.
Felizmente, o modo multiplayer online não possui maiores problemas – é surpreendentemente divertido e bem desenvolvido, funcionando com as limitações online do Wii para apresentar uma experiência interessante e duradoura. As opções comuns, como deathmatch e DM em equipe, são ameaçadas por modos mais “Bond” como o Golden Gun, em que a pistola dourada dá 5x mais pontos por morte, além de uma variação de Domination baseada em um satélite e simplesmente chamada de GoldenEye. Todos os nove modos suportam até oito jogadores online, e um sistema de ranking no estilo “Call of Duty” te permite destravar armas, anexos e acessórios ao longo do caminho.
Apesar dos mapas bem desenhados, os modos baseados em equipe ficam um pouco simplórios, uma vez que simplesmente encontrar alguns oponentes em mapas grandes parecidos com labirintos pode levar a um pouco de calmaria na ação; além disso no modo deathmatch em equipe faz falta um indicador de mortes na tela, o que tira um pouco da tensão natural do modo. Mas o modo Conflict (deathmatch) e suas variações são especialmente divertidos, e mesmo com algumas preocupações de equipe, todos os modos online são solidamente divertidos, além de os servidores serem estáveis e recheados de oponentes. É difícil tirar alguém da lista dos melhores atiradores em outras plataformas, mas se você está procurando por um game de tiro em primeira pessoa para Wii, existem chances de que você não esteja jogando muito “Call of Duty” ou “Halo” online de qualquer maneira.
O modo multiplayer offline também brilha graças a clássica tela dividida para quatro jogadores que é muito similar ao original. Mas o multiplayer online realmente rouba um pouco do seu brilho, tornando essa opção um divertido sopro do passado em vez de uma oferta essencial. No entanto, é a única maneira de se experimentar os divertidos modificadores de partida, como a habilidade de transformar suas armas de fogo em pistolas de paintball.
As condições eram desfavoráveis contra o novo “GoldenEye 007” desde o início – e é pouco provável que ele atinja o mesmo nível de importância do original – mas a Eurocom e a Activision conseguiram criar um jogo de tiro em primeira pessoa (FPS) do famoso agente que é não apenas um ótimo jogo de Wii, mas também um que faz justiça tanto à franquia quanto ao gênero. É um título que vale a pena tanto para os fãs do jogo original quanto para os donos de Wii em busca de uma sólida experiência de FPS.
O novo "GoldenEye 007" já está disponível para compra no Brasil tanto para Wii (versão usada neste review) quanto para o portátil Nintendo DS.(DOL, com informações do UOL)
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