Com letras que cativam o público e arranjos que representam a diversidade cultural que sempre o cercou ao crescer na Zona Leste de São Paulo, Edu Sereno apresenta pela primeira vez em Belém o show de seu álbum de estreia: “O Pão que o Diabo Ama Sou” (2016). O disco é um registro das canções nascidas e amadurecidas durante a turnê de seu primeiro trabalho, o EP “Esquinas, Janelas e Canções” (2013), realizada em mais de 40 apresentações Brasil afora. O show ocorre neste sábado, às 19h, no Sesc Boulevard, com entrada franca.
O jovem compositor paulistano vem ganhando notoriedade pelo trabalho com assinatura bem pessoal, principalmente no que se refere às letras, compartilhando suas sensações, as paisagens de seu bairro – ora pela Penha, na Zona Leste, ora em Bixiga, no centro de São Paulo, onde vive atualmente –, trazendo amores e desamores e toda sorte de coisas que se pode cruzar por essa vida. E não é diferente no show, onde ele divide sensações e experiências que, de tão humanas e íntimas, rapidamente estabelecem laços com o público.
“Vai ser minha primeira experiência na região Norte e é muito especial pra gente que sai de São Paulo para tocar em outras regiões, receber o carinho, o respeito e a valorização do nosso trabalho. Toco no Tocantins amanhã (hoje), em Belém no sábado e Goiânia no domingo, mas é disparada a movimentação nas redes sociais do show em Belém. Até os artistas, como a Nanna Reis, que participa do show e é quem vai me receber e me guiar pela cidade. Sinto que as pessoas já estavam esperando mesmo por mim”, conta Sereno.
E todas essas viagens pelo país, segundo ele, só fizeram alimentar o que pode vir por aí em suas próximas composições. “Eu me considero uma esponja. Agora estou aqui em Tocantins diante de uma paisagem que nunca tinha visto. Vou absorvendo, amadurecendo, e quando chegar em casa, sentar com meu violão, sei que tudo isso vai estar presente”, diz ele.
Viagens que alimentam novas canções
Edu Sereno vê suas canções como coleções de histórias onde quem o escuta se sente, em alguns momentos, protagonista. “É uma sensação indescritível você perceber que uma canção que você fez lá no seu cantinho, depois você viajar pro outro lado do país e perceber que as pessoas se identificam com aquilo, mesmo vindas de vivências, culturas diferentes. Eu tenho uma canção em que falo do caminho que eu fazia da minha casa até o metrô e fiz achando que ela só interessava a quem vivia por ali. Quando tava terminando um show em Fortaleza, um cara me perguntou: ‘você não vai tocar ‘Made in China?’. Além de gostar, ele sabia tocar e tocamos juntos no show”.
Mas nas canções de Sereno também é possível ser espectador do passeio que ele faz pelas paisagens de valor afetivo para ele. Seja na letra, ou em outros formatos nascidos do álbum, como o videoclipe e o minidoc de “Cê Vai Lembrar” – uma canção à base de violão, em cuja letra alguém vai elencando lembranças, e que vira um rock no refrão –, em que Edu caminha pela Vila Itororó, conjunto de prédios e casas construído na década de 1920, no Bixiga (SP). Ao misturar a música a este cenário, Edu funde questionamentos da memória afetiva humana com a memória social e arquitetônica da cidade.
(Lais Azevedo/Diário do Pará)
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