A cantora lírica Eliane Coelho apresenta-se amanhã, no Theatro da Paz, em Belém, na ópera “A voz humana”, do compositor francês Francis Poulenc e que tem texto do escritor Jean Cocteau. Com carreira no exterior, ela diplomou-se na Escola Superior de Música e Teatro de Hannover, e de 1983 a 1991 esteve contratada pela Ópera de Frankfurt. A partir de então, compõe a Ópera de Viena - uma das mais importantes do mundo. A direção cênica é de Marcelo Marques e a regência da Orquestra Sinfônica é do maestro Miguel Campos Neto. Reconhecida também pelo seu dom de interpretar, à ela cabe toda a dramaticidade do espetáculo, já que trata-se de uma ópera contemporânea, de 1957, e ela figura como solista. A trama mostra uma mulher desesperada, que fala ao telefone com seu amante, na tentativa de convencê-lo a manter a relação. É uma história sobre a solidão humana, sobre as relações passionais - algo que atravessa os tempos.
“Sempre considerei e senti a ópera como teatro cantado. A música potencia a palavra, as situações, os momentos emocionais. Eu, pessoalmente, sempre preciso do personagem, e principalmente, da trajetória dramática do personagem, onde estamos de novo no teatro. A ópera, apesar de ter apenas uma pessoa no palco, é um diálogo. Só que só se escuta o que a personagem diz, como ela responde e reage ao que é dito do outro lado do fio”, explica a cantora.
Ela diz que fazer uma ópera sozinha não permite um minuto de descanso e que o maior desafio é realizar essa construção emocional da personagem, “não soltando o fio da meada do começo ao fim. São mais ou menos 45 minutos de atenção e intensidade total. É a trajetória do personagem que eu quero mostrar. E é o que toda opera e peça de teatro faz: explorar o humano. E cada pessoa no público vai tirar suas próprias conclusões, vai viver os momentos de acordo com suas próprias experiências e conceitos de vida”, diz a cantora.
CONFIRA Ópera “A voz humana” (Dominik Giusti/Diário do Pará) |
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