
A cidade de Belém, capital do Pará, é um importante marco cultural e histórico da Amazônia, com uma rica tradição de profissões que marcaram a economia e o cotidiano de seus habitantes ao longo dos anos. No entanto, com o passar do tempo e o avanço da modernização, muitas dessas atividades foram desaparecendo, dando lugar a novas tendências e transformações no mercado de trabalho.
A memória afetiva dos belenenses está intimamente ligada a essas profissões, algumas das quais moldaram a paisagem urbana da cidade. De acordo com o historiador Marcio Neco, diversas razões explicam esse fenômeno: "Às vezes, essas profissões vão desaparecendo devido ao avanço da tecnologia, à automatização das tarefas e à transformação das necessidades de consumo", afirma.
Profissões como a de telefonista, que antes eram comuns nas ruas e mercados de Belém, praticamente desapareceram com o advento dos celulares e da internet. No passado, a telefonista era a responsável por fornecer informações aos cidadãos, função que hoje é facilmente substituída por aplicativos e mecanismos de busca online.

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“A transformação tecnológica também afetou outras profissões, como a de office boy e mensageiro, que corriam pelas ruas da cidade entregando correspondências. O avanço das tecnologias de comunicação, como e-mail e WhatsApp, fez com que essa profissão se tornasse obsoleta”, explica Márcio Neco
Outras atividades, que antes eram essenciais, também desapareceram por conta da modernização. O linotipista, por exemplo, operava uma máquina de grande importância para a impressão de jornais e revistas. No entanto, com o surgimento de novas tecnologias gráficas, a profissão praticamente desapareceu. O historiador relembra ainda a figura dos "Lambe-Lambe", fotógrafos ambulantes que trabalhavam em frente aos órgãos públicos, registrando retratos rápidos. Esta profissão, que marcou a paisagem urbana de Belém por muitos anos, hoje é praticamente extinta.
A resistência das tradições
Apesar da extinção de muitas dessas profissões, algumas ainda resistem ao tempo, embora de maneira discreta. O exemplo do engraxates, os profissionais que engraxavam sapatos nas calçadas da cidade, é um dos poucos casos em que essa atividade sobreviveu ao longo do tempo. "Ainda é possível encontrar alguns alfaiates e engraxates trabalhando em pontos comerciais da cidade", comenta Marcio Neco, lembrando a resistência dessas profissões, que muitas vezes são vistas como parte da identidade cultural da cidade.
O jornalismo, que antes dependia dos tradicionais jornaleiros nas ruas, também sofreu transformações. Márcio Neco relembra com nostalgia os tempos em que comprava jornais impressos dos vendedores ambulantes, uma prática comum nos domingos de Belém. Embora a profissão de jornaleiro ainda resista, é cada vez mais difícil encontrar esses vendedores nas ruas, à medida que os jornais impressos perdem espaço para os meios digitais. Os jornais impressos, antes encontrados com facilidade pelas ruas capital, agora somente adquirido em lugares estratégicos, como farmácias populares ou bancas de revistas.
Em meio a essa transformação, algumas profissões ainda são lembradas com carinho pelos mais antigos. "Quando eu era criança, uma das cenas mais marcantes do meu bairro, na Marambaia, era a passagem do amolador de facas e tesouras. Ele percorria as ruas em uma bicicleta adaptada, com uma roda especial que girava para afiar lâminas gastas pelo tempo e pelo uso. Minha mãe sempre aproveitava a oportunidade para entregar suas facas de cozinha e a tesoura de costura, que voltavam afiadas como novas. Hoje, essa profissão quase desapareceu, mas a lembrança daquele homem de bicicleta, prestando um serviço essencial de porta em porta, ainda me transporta para um tempo em que a vida parecia mais simples", contou o jornalista Sales Coimbra, 50 anos.
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O declínio das profissões ambulantes
A cidade de Belém também é conhecida por suas tradições gastronômicas, como o tacacá, um prato típico da região vendido por ambulantes nas ruas. No passado, era comum encontrar barracas de tacacá em cada esquina, mas hoje em dia, esses vendedores estão cada vez mais raros. Dona Maria Dilena, de 57 anos, recorda com saudade: "Na minha época, em cada esquina tinha uma barraca de tacacá gostoso, mas agora é difícil de encontrar. Quando aparece, o preço é muito caro". O crescimento de estabelecimentos fixos e a popularização do tacacá gourmetizado, além da facilidade proporcionada pelos aplicativos de delivery, contribuíram para a queda dessa tradição ambulante.

Outras profissões relacionadas ao comércio de alimentos típicos também foram sendo substituídas. Vendedores de doces tradicionais, como a barata-doce e o alfenim, desapareceram com o processo de industrialização e a mudança nos hábitos alimentares da população. A profissão de amolador de faca, que já foi comum nas ruas da cidade, também está em extinção, substituída pela durabilidade das facas de aço inox e cerâmica, que dispensam o serviço de afiação.
A desafiante jornada da modernidade
As antigas profissões de Belém, que antes estavam nas ruas e nas feiras, agora fazem parte da história, sendo lentamente substituídas por novas demandas do mercado de trabalho. No entanto, é importante preservar a memória dessas atividades, pois elas são peças fundamentais na formação da identidade cultural da cidade.
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