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FILHO DA ESTRADA DE FERRO

Mercado de São Brás explica o crescimento de Belém em mais de um século

Conheça a história e a revitalização do Mercado de São Brás, em Belém, um complexo cultural e gastronômico que une memória e modernidade.

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Imagem ilustrativa da notícia Mercado de São Brás explica o crescimento de Belém em mais de um século camera Um novo Mercado de São Brás para Belém | Foto: Ricardo Amanajás / Diario do Pará.

Patrimônio histórico de Belém, o Mercado de São Brás renasce como complexo gastronômico e cultural, unindo memória, arquitetura e histórias de vida. Inaugurado em 1911, em plena Belle Époque amazônica, a construção é um dos maiores símbolos do período de prosperidade vivido por Belém durante o ciclo da borracha. Mais do que um espaço comercial, o mercado nasce como parte de um ambicioso projeto de modernização urbana inspirado nos modelos europeus do início do século XX, idealizado pelo então intendente Antônio José Lemos.

Construído para descentralizar o comércio do Ver-o-Peso e aproveitar o intenso fluxo de pessoas e mercadorias trazidas pela Estrada de Ferro Belém–Bragança, o mercado foi estrategicamente implantado ao lado da estação ferroviária, onde hoje está a região do Terminal Rodoviário. O projeto arquitetônico ficou a cargo do engenheiro italiano Filinto Santoro, que imprimiu ao edifício influências do art nouveau e do neoclássico, com estrutura metálica importada da Europa, um reflexo direto da riqueza e da visão cosmopolita daquele período.

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Filho da Estrada de Ferro

De acordo com o historiador Márcio Neco, a importância da Estrada de Ferro Belém–Bragança foi decisiva não apenas para o surgimento do Mercado de São Brás, mas para o desenvolvimento econômico, urbano e cultural de todo o Pará.

“A estrada de ferro era um projeto de desenvolvimento. Ela possibilitou a criação de novos municípios, o escoamento da produção agrícola do interior e a formação de novas identidades. Onde hoje é São Brás, já havia uma grande circulação de pessoas por causa da estação do trem e da caixa d’água. Antônio Lemos percebeu esse potencial e doou o terreno para a construção do mercado”, explica o historiador.

Historiador Marcio Neco
📷 Historiador Marcio Neco |Foto: Divulgação

Segundo ele, o mercado não surgiu inicialmente como um equipamento público municipal. Antes chamado de Mercado Renascença, o espalo era um empreendimento particular que atendia diretamente à dinâmica econômica da ferrovia, permitindo que os produtos vindos do interior fossem comercializados de forma organizada, desafogando o Ver-o-Peso.

“Além da monumentalidade e da beleza arquitetônica, o Mercado de São Brás foi fundamental para o desenvolvimento urbano e cultural de Belém. Ele se torna um referencial não apenas comercial, mas também social”, completa Márcio Neco.

Nome de santo católico nascido em Roma

O nome Mercado de São Brás só foi consolidado posteriormente, em razão de uma forte devoção popular. Grandes procissões dedicadas a São Brás saíam do centro da cidade e tinham o mercado como destino final. Até hoje, a imagem do santo pode ser vista nas dependências do prédio, reforçando a relação entre fé, cultura popular e identidade urbana. Essa devoção foi tão marcante que acabou batizando não apenas o mercado, mas todo o bairro de São Brás.

A evolução do Mercado de São Brás ao longo dos anos
📷 A evolução do Mercado de São Brás ao longo dos anos |Fotos: Reprodução/ Arquivo e Diário do Pará

Um mercado cheio de histórias

Entre as paredes centenárias do mercado, há histórias de vida que ajudam a explicar por que o São Brás ultrapassa gerações. Uma delas é a do comerciante Marcos Novaes, vendedor de hortifruti que trabalha no local há mais de três décadas e representa a terceira geração de sua família ligada à antiga feira.

“Meu pai criou 11 filhos daqui. Eu já criei dois e hoje estou criando o terceiro. Comecei há 30, 35 anos, quando a feira ainda era na rua. Hoje estamos em um espaço digno de trabalhar e de receber as pessoas”, conta Marcos, emocionado.

Feirante Marcos Novaes, que há mais de 30 anos constrói sua trajetória no local
📷 Feirante Marcos Novaes, que há mais de 30 anos constrói sua trajetória no local |Foto: Arquivo Pessoal

Para ele, o mercado não é apenas um local de trabalho, mas um símbolo de conquista e resistência. “O Mercado de São Brás para mim significa vitória. Meu pai não está mais vivo para ver o que se tornou aquela feira onde ele trabalhava na rua. Hoje isso aqui é um complexo maravilhoso, que não perde em nada para espaços do Rio, de São Paulo ou de Minas. É turismo, lazer, cultura. É uma vitória para nós, feirantes”, afirma.

Do abandono a point das noites belenenses

Ao longo de seus mais de 100 anos, o Mercado de São Brás viveu momentos de grande efervescência, sendo palco de manifestações políticas, celebrações populares e encontros culturais. No entanto, também enfrentou décadas de abandono e ociosidade. Antes da atual intervenção, o espaço havia passado por reformas importantes em 1988, durante a gestão do prefeito Coutinho Jorge, e no início dos anos 2000, na administração de Edmilson Rodrigues.

A mais profunda transformação, porém, começou em 2023, com uma grande obra de restauração conduzida pela Prefeitura de Belém em parceria com o Governo do Estado. A entrega do espaço revitalizado, em 2024, marcou um novo capítulo na história do mercado.

“Essa foi, sem dúvida, a reforma mais expressiva. O mercado passou por intervenções estruturais e por uma ressignificação completa, tornando-se ainda mais um cartão-postal da cidade”, avalia Márcio Neco.

A revitalização preservou elementos históricos, como sacadas, azulejos e a imponência arquitetônica, ao mesmo tempo em que adaptou o espaço para um novo propósito.

Um novo Mercado de São Brás para Belém

Hoje, o Mercado de São Brás funciona como um complexo gastronômico e cultural, reunindo restaurantes, boxes tradicionais, espaços para eventos, música ao vivo e manifestações da cultura popular paraense. O local voltou a ser ocupado por famílias, turistas e moradores da cidade, que encontram ali um ambiente de convivência, memória e lazer.

“A história é dinâmica. Alguns hábitos mudam, mas o mercado continua com grande relevância histórica, cultural e social. As pessoas visitam, se socializam, apreciam a arquitetura, a gastronomia e participam de eventos que o espaço agora permite”, destaca o historiador.

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Após 115 anos de sua inauguração, o Mercado de São Brás segue vivo, reinventado e pulsante, um elo entre passado e presente que reafirma a identidade de Belém, fortalece a cultura paraense e preserva, nas suas estruturas e nas histórias de seus feirantes, a memória de uma cidade que continua a se transformar sem esquecer suas raízes.

Mercado de São Brás explica o crescimento de Belém em mais de um século
📷 |Lana Oliveira
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