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O INÍCIO DO JEJUM

Brasil encara renovação e termina Copa de 1974 em quarto lugar

Após o tri histórico no México, a Seleção chegou à Alemanha cercada por mudanças e desafios que marcaram uma campanha distante do brilho das edições anteriores

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Imagem ilustrativa da notícia Brasil encara renovação e termina Copa de 1974 em quarto lugar camera Um reformulção que viveu um jejum de 24 anos | CBF

A ausência de alguns dos maiores nomes da história da Seleção já era sentida antes mesmo da bola rolar na Alemanha. Sem Pelé, sem Tostão e ainda desfalcado de Clodoaldo, cortado por lesão às vésperas do torneio, o Brasil iniciou a Copa de 1974 tentando reconstruir uma equipe que havia encantado o planeta em 1970.

O desafio ficou evidente logo na fase inicial. Nos dois primeiros compromissos, contra Iugoslávia e Escócia, a Seleção não conseguiu balançar as redes. Os empates sem gols em Frankfurt contrastavam com a força ofensiva que havia se tornado marca registrada do futebol brasileiro.

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A atuação diante dos iugoslavos expôs dificuldades além do ataque. Em diversos momentos, o goleiro Leão precisou intervir para evitar a derrota, enquanto a trave também apareceu como aliada dos brasileiros.

A reação veio apenas na terceira rodada. Pressionado pela necessidade de vencer para avançar, o Brasil derrotou o Zaire por 3 a 0. Rivellino, Jairzinho e Valdomiro marcaram os gols que garantiram a classificação para a segunda fase do Mundial.

Mesmo avançando, a Seleção terminou atrás da Iugoslávia na classificação do grupo, consequência do saldo de gols inferior aos europeus.

O regulamento previa uma nova fase de grupos para definir os finalistas. O Brasil caiu em uma chave complicada, ao lado de Alemanha Oriental, Argentina e Holanda.

A primeira resposta foi positiva. Em Hanover, Rivellino decidiu a vitória por 1 a 0 sobre os alemães orientais, resultado que manteve viva a esperança de disputar mais uma final de Copa do Mundo.

Poucos dias depois, a Seleção voltou a vencer. Contra a Argentina, os brasileiros mostraram mais consistência e conquistaram um triunfo por 2 a 1, construído com gols de Jairzinho e Rivellino.

A campanha, no entanto, encontrou o limite diante da Holanda. Liderada pelo chamado "Carrossel Holandês", equipe que revolucionava conceitos táticos da época, a seleção europeia venceu por 2 a 0 e ficou com a vaga na decisão.

Marinho Peres em ação em jogo do Brasil com a Polônia na Copa de 1974
📷 Marinho Peres em ação em jogo do Brasil com a Polônia na Copa de 1974 |Arquivo Pessoal

A derrota encerrou o sonho do tetracampeonato e empurrou o Brasil para a disputa do terceiro lugar.

No último compromisso do torneio, a Polônia levou a melhor ao vencer por 1 a 0 em Munique. O resultado deixou os brasileiros na quarta colocação, a pior campanha da Seleção desde a Copa de 1966.

Mais do que a posição final, a edição de 1974 marcou o encerramento de um ciclo. O time que havia dominado o futebol mundial nos anos anteriores dava lugar a uma fase de transição, que exigiria renovação e paciência.

O jejum de títulos mundiais iniciado naquela Copa se estenderia por duas décadas. A espera só terminaria em 1994, quando o Brasil voltaria ao topo do futebol mundial nos Estados Unidos.

Apesar das dificuldades, jogadores como Rivellino, Jairzinho e Leão estiveram entre os destaques de uma campanha que simbolizou a passagem entre duas gerações da Seleção Brasileira.

Veja a convocação do Brasil para a Copa de 1974:

  • Goleiros: Emerson Leão (Palmeiras), Renato (Flamengo) e Waldir Peres (São Paulo);
  • Defensores: Alfredo Mostarda (Palmeiras), Luís Pereira (Palmeiras), Marco Antônio (Fluminense), Marinho Chagas (Botafogo), Marinho Peres (Santos), Nelinho (Cruzeiro) e Zé Maria (Corinthians);
  • Meio-campistas: Ademir da Guia (Palmeiras), Carpegiani (Internacional), Dirceu (Botafogo), Paulo César Caju (Flamengo), Piazza (Cruzeiro) e Rivellino (Corinthians);
  • Atacantes: César Maluco (Palmeiras), Edu (Santos), Jairzinho (Botafogo), Leivinha (Palmeiras), Mirandinha (São Paulo) e Valdomiro (Internacional).
  • Técnico: Zagallo.
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