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PARAMOS EM PLATINI

Jalisco, palco de glórias e despedida: o Brasil na Copa de 1986

O palco das vitórias históricas da campanha do tricampeonato em 1970 voltou a testemunhar triunfos brasileiros, alimentando a esperança de mais uma conquista

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Imagem ilustrativa da notícia Jalisco, palco de glórias e despedida: o Brasil na Copa de 1986 camera Time que estreou contra a Espanha: vitória por 1 a 0 | Acervo/ CBF

O futebol brasileiro chegou à Copa do Mundo de 1986 cercado de expectativa. Quatro anos após encantar o planeta com um estilo ofensivo e vistoso, a Seleção comandada por Telê Santana desembarcou no México com a missão de transformar espetáculo em título. No entanto, o caminho rumo ao sonho do tetracampeonato foi marcado por desafios físicos e pela instabilidade de seus principais craques.

Zico, Falcão e Sócrates, símbolos daquela geração talentosa, enfrentavam problemas decorrentes de lesões, aumentando as dúvidas sobre a capacidade da equipe de repetir o brilho apresentado no Mundial anterior. Mesmo diante das adversidades, o Brasil encontrou no Estádio Jalisco, em Guadalajara, um cenário familiar e repleto de boas lembranças. O palco das vitórias históricas da campanha do tricampeonato em 1970 voltou a testemunhar triunfos brasileiros, alimentando a esperança de mais uma conquista mundial.

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Na estreia da Copa de 1986, a Seleção venceu a Espanha por 1 a 0, com gol de Sócrates. O resultado reforçou a ligação especial entre a Amarelinha e o Estádio Jalisco, onde o Brasil já havia construído parte de sua trajetória vitoriosa dezesseis anos antes. A equipe seguiu embalada na fase de grupos. Derrotou a Argélia por 1 a 0, gol de Careca, e superou a Irlanda do Norte por 3 a 0, com dois gols de Careca e um de Josimar.

O desempenho consolidou a classificação brasileira para o mata-mata e aumentou a confiança dos torcedores. Nas oitavas de final, novamente no Jalisco, o Brasil mostrou força ao vencer a Polônia por 4 a 0. Careca marcou duas vezes, enquanto Josimar e Edinho completaram a goleada que colocou a Seleção nas quartas de final. A relação quase perfeita entre o Brasil e o estádio mexicano parecia destinada a continuar. Mas o destino reservava um desfecho diferente.

Josimar pula para festejar seu gol em jogo contra a Irlanda do Norte
📷 Josimar pula para festejar seu gol em jogo contra a Irlanda do Norte |Acervo/ CBF

A partida derradeira

Nas quartas de final, a Seleção encontrou a França em um dos confrontos mais memoráveis da história das Copas do Mundo. O Brasil saiu na frente aos 18 minutos do primeiro tempo, com Careca, e controlava a partida. Entretanto, após um cruzamento de Dominique Rocheteau, a bola desviou em Edinho e sobrou para Michel Platini empatar o jogo ainda na etapa inicial. Mesmo após o empate, a equipe brasileira manteve a superioridade em vários momentos.

A grande oportunidade veio quando Zico, recém-saído do banco de reservas, lançou Branco, que foi derrubado pelo goleiro Joel Bats dentro da área. Na cobrança do pênalti, porém, Zico parou na defesa do arqueiro francês. Sem alterações no placar durante a prorrogação, a decisão foi para os pênaltis. A França levou a melhor por 4 a 3 e garantiu a classificação para as semifinais. O Brasil se despedia da Copa do Mundo de 1986, justamente no estádio que havia sido palco de tantas vitórias.

Edinho disputa a bola com dois adversários em Brasil x França
📷 Edinho disputa a bola com dois adversários em Brasil x França |Acervo/ CBF

Triste lembrança

Embora eliminado, o retrospecto da Seleção no Jalisco permaneceu invicto nos 90 minutos regulamentares. A derrota veio apenas na disputa por pênaltis, encerrando uma campanha marcada por talento, expectativa e pela amarga sensação de que uma das gerações mais técnicas do futebol brasileiro poderia ter ido mais longe.

Convocados do Brasil para a Copa do Mundo de 1986

  • Goleiros: Carlos Gallo, Emerson Leão e Paulo Victor.
  • Defensores: Branco, Edinho, Edson Boaro, Josimar, Júlio César, Mauro Galvão e Oscar.
  • Meio-campistas: Alemão, Elzo, Falcão, Júnior, Silas, Sócrates, Valdo e Zico.
  • Atacantes: Careca, Casagrande, Edivaldo e Müller.
  • Técnico: Telê Santana.
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