O presidente da Fifa, Joseph Blatter, encaminhou carta à Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, aceitando o convite para discutir o projeto da Lei Geral da Copa. O dirigente suíço queria que o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, o representasse no encontro sobre o tema em Brasília, mas os senadores não concordaram com a ideia, em retaliação à declaração dele de que o Brasil precisaria de um “chute no traseiro” para apressar o andamento das obras para o Mundial de 2014.
Diante da negativa do Senado em receber Valcke, por causa da polêmica declaração, a Fifa chegou a afirmar na semana passada que Blatter não viria ao Brasil para discutir a Lei da Copa como queriam os senadores. Com isso, a entidade ficaria de fora da discussão do projeto que mais lhe interessa no Congresso Nacional. Mas houve um recuo do dirigente suíço, para chegar a um entendimento e tentar acelerar a votação da legislação.
A informação da carta de Blatter aceitando o convite foi lida nesta terça-feira pelo presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado, Roberto Requião (PMDB-PR). No documento enviado, o presidente da Fifa pede que seja negociada uma data para sua presença na audiência em Brasília.
Roberto Requião deixou clara a surpresa com a concordância de Blatter em comparecer ao Senado. Ele destacou ainda que, devido ao regimento, isso fará com que a tramitação do projeto seja suspensa até a realização da audiência com o presidente da Fifa.
Uma alternativa seria desvincular o convite do projeto, que poderia continuar tramitando, independente da data da presença de Blatter. A expectativa do governo é votar a Lei Geral da Copa na primeira quinzena de maio no Senado.
Apesar da recusa do Senado em receber Valcke, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, destacou nesta terça-feira que a Fifa já se desculpou pela polêmica do “chute no traseiro” e defendeu que a questão não seja mais alimentada. “Não vamos transformar aquele episódio numa indústria. Não devemos alimentar isso. Temos coisas mais importante para fazer”, afirmou ele. (AE)
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