A forma de premiação ao grupo adotada pela diretoria do Paysandu na Copa do Brasil, embora o time já tenha dado adeus ao torneio, ainda é questionada pelos torcedores. Para eles, a direção bicolor jogou dinheiro fora ao pagar R$ 330 mil à equipe pela classificação para a terceira fase, na qual acabou sendo eliminada pelo Juventude-RS, em plena Curuzu. A premiação seria ainda maior - R$ 420 mil - caso o time tivesse avançado às oitavas de final da competição.
Os valores são referentes a 50% das cotas destinadas pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aos clubes classificados na segunda e terceira fases da Copa do Brasil. A fixação dos valores, segundo informações de bastidores, saiu de um acordo firmado entre a diretoria e os líderes do elenco.
Com a eliminação prematura do time do torneio, o que causou um prejuízo de cerca de R$ 2 milhões ao clube, apenas os jogadores e a comissão técnica saíram no lucro, na avaliação dos torcedores. “Com esse tipo de premiação, o Paysandu simplesmente está resgatando uma coisa que já havia sido extinta no futebol, o bicho”, acusou o torcedor Mauro Gomes Pedrosa, 29 anos, que esteve na Curuzu na noite da última quarta-feira (27). “Da mesma forma que abonou os jogadores, a diretoria deveria cobrar agora pelo prejuízo que eles deram ao clube”, completou o bicolor.
Campanha do ano passado é a melhor da história
Desde que começou a disputar a Copa do Brasil, em 1989, o Paysandu jamais fez uma campanha tão empolgante como a do ano passado, quando o time chegou até as oitavas de final do torneio, sendo eliminado pelo Fluminense-RJ, que venceu os jogos de ida e volta, ambos por 2 a 1.
A caminhada bicolor foi iniciada com a eliminação do Águia Negra-MS (2 a 2 e 2 a 0, no jogo de volta), com os bicolores passando, depois, por dois times de prestígio no futebol do Nordeste: ABC-RN (1 a 0 e 2 a 1) e Bahia-BA (3 a 0 e 0 a 2). A boa campanha bicolor, no entanto, acabou sendo brecada pelos cariocas.
No primeiro jogo, no Rio de Janeiro, um público de 13.523 pessoas compareceu ao estádio. No confronto de volta, no Mangueirão, o Papão arrastou 31.418 mil torcedores pagantes, que proporcionaram uma renda de R$ 1.495.726,00, quase quatro vezes mais que a soma auferida nas bilheterias do Maracanã. A cota dos bicolores chegou a R$ 1.196.058,02. O Papão jamais faturou tanto com a venda de ingressos em sua participação no torneio.
Este ano, o time bicolor tinha tudo para voltar a enfrentar um dos grandes do Brasileirão e faturar alto, não fosse a desastrosa atuação frente ao Juventude-RS, que acabou também por fazer com que os próprios jogadores do campeão paraense e da Copa Verde deixassem de embolsar uma bolada, conforme acordo firmado por eles com a diretoria do clube.
(Nildo Lima/Diário do Pará)
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