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COVID 19

Entre mudanças e indefinições dos jogos Olímpicos e Paralímpicos

Primeiro foi o adiamento do Jogos e agora, quase um ano depois, a pandemia global não arrefeceu, e o esporte se vê novamente numa encruzilhada. Preparação dos atletas foi muito prejudicada

domingo, 17/01/2021, 08:27 - Atualizado em 17/01/2021, 08:27 - Autor: Nildo Lima


Alan Fonteles espera fazer bonito em Tóquio, embora ainda não tenha certeza que a disputa irá acontecer
Alan Fonteles espera fazer bonito em Tóquio, embora ainda não tenha certeza que a disputa irá acontecer | Daniel Zappe-MPIX-CPB

O indesejável surgimento da pandemia do novo coronavírus impôs mudanças no cotidiano de quase todo mundo, ditando mudanças radicais na rotina de cada pessoa. Com os atletas, sobretudo aqueles que vinham se preparando para os Jogos de Tóquio, no Japão, o estrago continua sendo grande. Com a expectativa de que os jogos Olímpicos e Paralímpicos fossem realizados em 2020, conforme o calendário estabelecido pelo COI (Comitê Olímpico Internacional), os atletas acabaram tendo de aceitar o adiamento das competições para este ano em razão do alastramento da doença, que já fez milhões de vítimas fatais pelo mundo afora.

Diante da mudança, todo o plano de preparação dos competidores teve de ser, inicialmente, suspenso para, depois ser retomado dentro de outro formato, já adaptado à nova realidade, provocada pelo vírus. Assim sendo, muito do que foi feito pelos atletas em suas preparações, acabou se perdendo no caminho. Entre os prejudicados com a mudança dos jogos de Tóquio, que acontecerão no período de 23 de julho a 8 de agosto, estão alguns paraenses que devem participar das Paralimpíadas.

O mais conhecido dos atletas locais é o corredor Alan Fonteles, campeão paralímpico e mundial, que hoje pertence ao tradicional clube Pinheiro, de São Paulo, onde ele fixou residência e faz seus treinamentos. O atleta foi obrigado, num primeiro momento, a frear sua programação de treinamento, para retomá-la, depois, de uma maneira diferente em função das mudanças impostas pela pandemia. Fonteles segue se preparando para a sua terceira Paralimpíadas - ele esteve nas competições de Londres (2012), conquistando medalha de ouro, Pequim (2008) e Rio de Janeiro (2016), arrastando medalhas de prata.

Além de Fonteles, o Pará também poderá estar representado nas Paralimpíadas por oito atletas integrantes da seleção brasileira de basquetebol de cadeirantes, equipe comandada pelo treinador Wilson Caju, de 65 anos, 16 dos quais dedicados à preparação dos times brasileiros masculino e feminino. O técnico admite que, “num certo sentido”, muito do que já havia sido feito na preparação de suas atletas acabou sendo perdido por causa do adiamento das Paralimpíadas. As atividades das atletas locais não foram totalmente paralisadas, conforme ressalta Caju, mas ainda assim, segundo ele, o prejuízo é grande por conta da nova forma de trabalho.

Caju é cético quanto à realização dos Jogos

O técnico paraense Wilson Caju, da seleção brasileira feminina de basquete em cadeira de rodas, é cético quanto à realização das Paralimpíadas de Tóquio. O treinador, que já esteve em duas das edições da competição (Pequim, em 2008, e Londres, em 2012) parece mesmo decidido a só acreditar no evento depois que estiver na capital japonesa junto com suas atletas, caso a modalidade esteja na disputa. “Até aqui não temos total certeza de que o evento vá mesmo acontecer”, afirma Caju, completando: “Tudo ainda é uma incógnita”.

 

Wilson Caju
Wilson Caju | Reprodução
 


Quanto ao adiamento das Paralimpíadas, de 2020 para este ano, Caju admite que tal mudança causou grande prejuízo aos atletas de uma maneira geral. “Para o basquetebol foi uma perda muito grande. Todos os campeonatos foram suspensos, quando estávamos indo para uma competição na qual poderíamos ser pela 19ª vezes campeões brasileiros”, contou o treinador. Na volta dos atletas aos treinamentos, em setembro do ano passado, cumprindo todo o protocolo imposto pela pandemia, os treinos foram retomados, mas, segundo Caju, os prejuízos da suspensão das atividades ficaram.

“Para um atleta dito normal é uma coisa ficar sem treinar, mas um atleta com necessidade especial é bem diferente. A perda é maior ainda”, salientou o técnico, em conversa com a reportagem. “Foram quatro anos, teoricamente, jogados fora”, apontou Caju. “Fomos muito prejudicados, sem dúvida”, avaliou o técnico, que espera pela desistência de algum país participante dos jogos Paralímpicos de Tóquio para que a seleção brasileira esteja presente na competição.

“Como ficamos na terceira colocação no Mundial disputado no Peru, com a medalha de bronze, e só existiam duas vagas para as Paralimpíadas, estamos, neste momento, de fora. Pode ocorrer, porém, de algum país não confirmar a participação nos jogos devido a essa questão da pandemia e aí seríamos convidados”, argumenta o treinador, que mesmo com a incerteza sobre a ida ou não de seu time ao Japão, volta a comandar treinamentos para as suas atletas a partir de amanhã, quando acontece a reapresentação do grupo no ginásio Serra Freire, do Clube do Remo.

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