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Campeão brasileiro, Cuca já foi condenado por estupro 

Cuca e mais três jogadores do Grêmio nos anos 1980 ficaram quase 1 mês detidos pelo estupro de Sandra Pfäffli, na Suíça.

sexta-feira, 03/12/2021, 12:20 - Atualizado em 03/12/2021, 12:20 - Autor: Com informações do portal UOL e El Pais


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| Reprodução

Carreiras vitoriosas podem mascarar muitos problemas na vida de um esportista, que podem ser até de cunho policial, como aconteceu com o treinador do time campeão brasileiro de 2021.

Quando ainda era jogador do Grêmio, Cuca foi preso junto com Eduardo Hamester, Henrique Etges e Fernando Castoldiforam em hotel na Suíça sob a acusação de de terem cometido violência sexual contra uma menina de 13 anos. O caso aconteceu em 1987, em excursão pela Europa.

Os quatro atletas ficaram detidos por quase 30 dias no país. Após prestarem depoimentos, os jogadores voltaram ao Brasil. No entanto, o processo prosseguiu e a condenação ocorreu dois anos mais tarde, em 1989.

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Em depoimento, Sandra Pfäffli afirmou ter ido com amigos ao quarto dos atletas para pedir uma camisa do Grêmio, logo em seguida, os jogadores teriam expulsado todos e forçado a criança, na época com 13 anos, a manter relações sexuais.

Enquanto os quatro acusados permaneceram presos por quase um mês em terras suíças, o Grêmio seguiu normalmente com seu tour, que terminou com cinco vitórias e quatro empates. “Os jogadores não conseguiram se desligar do trauma de seus companheiros e, mesmo assim, voltamos invictos”, comemorou o então técnico tricolor, Luiz Felipe Scolari. O caso, que ficou conhecido como o “escândalo de Berna”, gerou revolta em Porto Alegre. Não pela grave acusação que pesava contra os atletas do clube gaúcho, mas pelo fato de boa parte da opinião pública ter culpado a vítima pelo ocorrido e entendido que os jogadores eram injustiçados, algo que ainda ocorre hoje em dia, como infelizmente sabemos.

"PASSADA DE PANO" VIROU SUCESSO

“Um deslize de ordem sexual em que, visivelmente, colaborou para a consumação a conduta, no mínimo, quase conivente da chamada vítima, não deve servir de amparo a uma decisão drástica”, escreveu o colunista Paulo Santana, no jornal Zero Hora, em protesto que exigia a soltura do quarteto. Familiares dos jogadores, incluindo namoradas e esposas, também insinuavam que a garota seria a responsável pelo próprio estupro.

Diante da comoção de torcedores indignados com a rigidez das autoridades suíças, que mantinham os detidos incomunicáveis, cartolas e advogados do Grêmio conseguiram articular uma intervenção da diplomacia brasileira. No fim de agosto daquele ano, o Itamaraty chegou a um acordo para que os atletas pudessem retornar ao Brasil e responder ao processo em liberdade.

“Resta dar as boas vindas aos nossos doces devassos”, escreveu o cronista Wianey Carlet (aquele mesmo que escreveu que o futuro dirá quem foi melhor entre Messi e Tayson), no jornal Correio do Povo, para celebrar o retorno dos jogadores. No aeroporto de Porto Alegre, uma multidão, engrossada até mesmo por torcedores do rival Inter, recebeu os quatro acusados de estupro como heróis, qualificando o episódio no quarto 204 como uma “travessura”.

 

Henrique, Fernando, Eduardo e Cuca: os quatro condenados por estupro na Suíça.
Henrique, Fernando, Eduardo e Cuca: os quatro condenados por estupro na Suíça. | Acervo Placar
 

Ao reencontrar a esposa Rejane, em Curitiba, Cuca pediu desculpas aos pais dela pelo escândalo e, aos dirigentes do Grêmio, repetia a justificativa: “Fiquei com a impressão de que ela [vítima] tinha 18 anos”. A suposta aparência de “moça feita”, segundo familiares dos acusados, foi o argumento utilizado pela defesa para sustentar que a garota teria consentido os atos e desqualificar a denúncia de estupro. “Eles [pais de Rejane] acharam que recebemos uma punição severa demais pela falta que cometemos”, disse Cuca, logo que retornou aos treinos no Grêmio.

Apesar de não ter sido reconhecido pela garota na delegacia, Cuca acabou condenado a 15 meses de prisão por violência sexual contra pessoa vulnerável (com menos de 16 anos), assim como os companheiros Eduardo e Henrique. A sentença do tribunal de Berna, emitida em 15 de agosto de 1989, ainda estabeleceu pena de três meses para Fernando, por ter sido cúmplice do crime. A “falta” cometida na excursão, porém, jamais prejudicou a carreira dos envolvidos.

Como o Brasil não extradita seus cidadãos nem mantinha acordo de cooperação com as autoridades suíças, a possibilidade de execução das penas expirou em 2004. Depois do escândalo, Cuca assinou contrato em definitivo com o Grêmio. 

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