O futebol paraense, atualmente, passa por uma verdadeira cruzada para sobreviver em meio aos problemas de administrações dos atuais dirigentes. E se o departamento profissional dos clubes vive em dificuldade, o que dizer, então, das categorias de base, que sobrevivem graças a abnegados, pessoas que realizam trabalhos voluntários sem esperar reconhecimento? Um exemplo do descaso com esse setor que se propõe a revelar jogadores é o Clube do Remo, que passa por problemas para se manter.
A escolinha de futebol amador do Remo é denominada de Rubilar. Lá já foram formados craques que despontaram no futebol profissional azulino. Mas são poucas as pessoas que sabem a real situação por que passa as divisões de base do Leão azul paraense. Um dos coordenadores dos jovens valores remistas, Alcindo Cunha, mais conhecido como Tindô, denunciou para a reportagem da TV RBA o momento da base azul marinha.
“O nosso café-da-manhã só existe graças a grandes remistas, como Beto Macedo, que nunca nos deixou, ajudando com um saco de leite, uma caixa de Nescau, alimentação, que é completada com uma bolacha que a gente ganha da Hiléia. É isso que completa a alimentação matinal dos meninos”, falou.
No que tange aos problemas estruturais, as divisões de base azulina também não têm muito que comemorar. Não há medicamentos ou médicos à disposição dos jogadores. Para completar o martírio dos profissionais que se esforçam na revelação de novos craques para o Remo, os atrasos de salários são inúmeros. No caso de Tindô, a falta de pagamento ultrapassa administrações.
“Faz 14 anos que eu estou no Remo. Tenho muitos salários atrasados desde a gestão do ex-presidente João Costa, que já morreu”, explica. Já o roupeiro Erasmo Sérgio, conhecido no clube como Garrinchinha, já trabalhou sem ter a carteira assinada.
“Passei dois anos (sem carteira assinada) com o Levy e o Raimundo Ribeiro (ex-presidentes). A gente tem que ficar esperando a ajuda de Deus. Eu não queria nem receber se a ajuda fosse para os garotos, pois a divisão de base do Remo é carente”, desabafa. (Gustavo Pêna/DOL, com informações da TV RBA)
Assista à reportagem da TV RBA clicando no ícone abaixo:
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