O Papai Noel pode passar a qualquer momento, mas eles ainda não decidiram o que pedir. Os olhos apreensivos de Jaime, a tensão estampada no rosto de Betinho e a preocupação repleta nas mãos trêmulas de Reis traduzem o sentimento dos três garotos. Tensão. Indecisão. O papel está ali, sobre a mesa, esperando para ser logo assinado. E a caneta também está lá, para escrever uma, duas, ou, quem sabe, três cartas.
O garoto Jaime olha para trás, lembra-se da infância. E que tal aquele skate que ganhou quando tinha dez anos? Jaime nunca vai esquecer. Betinho não tinha o costume de escrever cartas, mas nunca dispensou um presente vindo do bom velhinho. Já Reis sempre pedia a mesma coisa em todo Natal: uma bola.
Em todo dia 24 de dezembro, a história se repete. Os meninos andam de um lado para o outro, em suas casas. Parecem perdidos, perplexos, à espera de uma visita que não tem hora para chegar. Nervosos, a todo o momento perguntam ao pai que horas que o bom velhinho irá passar.
Assim como os três meninos, milhões de garotos espalhados pelo mundo inteiro sonham em conhecer, ao menos ver de longe o Papai Noel. Com uma grande barba branca, vestido com uma roupa vermelha, botas pretas, cobertas por pedaços de neve, ele segue sentado num velho trenó. Guiado por um bando de renas, o bom velhinho passeia pelo mundo inteiro, recolhendo cartas, distribuindo presentes e realizando sonhos de crianças e de adultos também.
Sim, adultos, pois Jaime, Betinho e Reis já não são mais aquelas crianças de um passado recente. Agora, o trio faz parte de um dos maiores times de futebol do Norte do Brasil, o Clube do Remo. Pensando no bem deles, da família, dos amigos e de milhões de apaixonados azulinos, os garotos do Baenão decidem pedir um único presente de Natal. Algo que não seria útil apenas a eles e que os meninos esperam receber apenas na metade do próximo ano.
O presente é feito de alumínio, mede quase um metro. Ele pode ser de cor dourada ou ainda prateada. Normalmente este objeto fica sob uma mesa, cercado por câmeras fotográficas e filmadoras, além de ser observado atentamente e cobiçado por torcedores eufóricos. Jaime, Betinho e Reis, enfim chegam a uma decisão. Jaime segura firme a caneta, ele se prepara para começar a escrever.
Antes de encostar uma gota de tinta sobre o papel branco, Jaime levanta a cabeça, olha para Betinho, que retribui ao amigo com um pequeno e discreto sorriso no rosto. Com firmeza, ele balança a cabeça, passando total confiança ao escritor improvisado. Mas ainda falta o aval do outro. Sem perder muito tempo, Jaime olha para Reis. Ele exige uma resposta rápida, pois sabe que o tempo é curto, o Papai Noel não pode deixar de receber esta carta. Ao perceber que está sendo cobrado, Reis, imediatamente, aponta para o papel. Aliviado, Jaime começa a escrever. Depois de tanto pensar, eles cumprem a primeira etapa.
A carta já deve estar em poder do bom velhinho. Agora, Noel irá avaliar o comportamento de cada um dos três jovens garotos promissores e também o de seus amigos. O primeiro teste será longe de Belém, no Suriname, mas Papai Noel não vai arredar os olhos da garotada. O segundo desafio será no retorno ao Pará. A bola vai rolar por alguns meses, tempo o suficiente para que Noel decida e ajude a garotada alcançar o tão sonhado objeto. Jaime, Betinho e Reis torcem para que Papai Noel não se esqueça do pedido. Os meninos do Baenão estão ansiosos. O que eles mais querem é sair do túnel do Mangueirão, olhar o estádio lotado, ter um bom desempenho na partida e, ao final do espetáculo, enfim, erguer, com orgulho, o presente natalino tão desejado. (Diário do Pará)
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