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ESPORTE PARÁ

Cosme e Comelli: técnicos com estilos opostos

A relação do torcedor com o treinador de futebol sempre é bastante emblemática. Em um dia, felicidade, com o nome do técnico sendo cantado por gritos uníssonos nas arquibancadas. No outro, o coro de ‘burro’ após uma derrota ou mudança equivocada. No clás

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A relação do torcedor com o treinador de futebol sempre é bastante emblemática. Em um dia, felicidade, com o nome do técnico sendo cantado por gritos uníssonos nas arquibancadas. No outro, o coro de ‘burro’ após uma derrota ou mudança equivocada.

No clássico entre Clube do Remo e Paysandu deste domingo (1º de maio), a figura dos comandantes pode ser essencial para o resultado do jogo. São eles que estão à frente dos elencos de Leão e Papão desde o início do Campeonato Paraense 2011 e são os responsáveis por levar a campo uma das maiores paixões do Norte do país.

Assim, o DOL resolveu traçar um pouco dos perfis de Sérgio Cosme, técnico do Paysandu, e Paulo Comelli, treinador do Remo, e descobrir um pouco das suas qualidades e defeitos e saber se suas posturas podem interferir de forma significativa no placar final da partida entre azulinos e bicolores.

SÉRGIO COSME

Sérgio Cosme Cupelo Braga tem 60 anos de idade. Natural do Rio de Janeiro (RJ), o comandante chegou ao Paysandu após mais um fracasso do clube na Série C. Desembarcou na Curuzu se benzendo no gramado do Curuzu e beijando a mão de uma torcedora. Porém, a Fiel ficou desconfiada com a chegada do novo ‘professor’, pois esperava mesmo era a contratação de Givanildo Oliveira.

Prometeu conquistas ao Papão. E logo de início, cumpriu. Conquistou o torneio internacional em Paramarino, no Suriname, justamente contra o maior rival bicolor. Pronto, começava ali uma história de amor entre o técnico e torcedores? Nem tanto. As atuações de bicola em solo estrangeiro não foram de encher os olhos da torcida, que preferia esperar mais.

Teve início o Parazão e, apesar das fracas atuações, o resultado positivo acontecia. Nos primeiros quatro jogos, foram quatro vitórias. A primeira derrota veio no Re-Pa. Mas justamente no clássico Rei da Amazônia? Pois é, começava ali o problemão de Cosme no Paysandu. A torcida pedia a queda do comandante, mas a diretoria assumiu a responsabilidade e o deixou no cargo. Em meio a protestos, conquistou o primeiro turno e ‘respirou’ mais aliviado.

Porém, o Paysandu foi eliminado da Copa do Brasil logo na segunda fase e o time não vinha bem no segundo turno do Estadual. Após a derrota para o Cametá, todo mundo esperava a dispensa do treinador, certo? Errado. Sérgio Cosme continuava lá, com o apoio da diretoria e dos seus jogadores, que ainda acreditam no seu trabalho a longo prazo no Papa Títulos do Norte.

O repórter do DIÁRIO DO PARÁ, Luiz Octávio Lucas, que cobre o dia a dia bicolor, acredita que Cosme tem como ponto positivo ter colocado na equipe jogadores ‘prata da casa’, como os gêmeos Billy e Bryan, além do garoto Andrei, mas revela que a mágoa com a imprensa pode ter atrapalhado seu trabalho.

“Ninguém pode negar que o técnico Sérgio Cosme é um típico carioca, ‘malandro sangue bom’. Durante os treinos faz questão de cumprimentar quem está por perto, apesar de que, nos últimos dias, se afastou da imprensa, magoado com as críticas e boatos de que poderia deixar o Papão. Dentro das quatro linhas, o técnico alviceleste dá mais ênfase ao setor defensivo e não raro prioriza o meio-campo com três volantes, o que já lhe rendeu o apelido de ‘retranqueiro’”, avalia Lucas.

Na realidade, o Re-Pa deve ser a última oportunidade para Sérgio Cosme no Paysandu. Se perder ou até mesmo empatar com o Remo, o ambiente na Curuzu ficará insustentável e a diretoria não deve mais segurar os protestos do torcedor. Que Cosme prove que tem realmente condições de dirigir o Papão. Senão, poderá ser mais um dos inúmeros técnicos que não deixaram saudade no bicolor.

PAULO COMELLI

Do outro lado da avenida Almirante Barroso, a tarefa de estar à frente do Remo é de Paulo Sérgio Comelli, um paulista de 50 anos, natural de Novo Horizonte. Assim como Sérgio Cosme pelo lado do Paysandu, Comelli chegava ao Pará em meio à crise que se instalou pelos lados do Baenão. Fracassado administrativamente, o Leão ainda tinha sido eliminado de forma precoce da Série D.

Pouca gente acreditava na vinda de Paulo Comelli para o Remo. O treinador, com passagem por grandes clubes do País, tinha mercado, principalmente, no rico futebol de São Paulo. Mas ele veio. As primeiras palavras de Comelli ao desembarcar no aeroporto internacional de Belém foram de que havia aceitado o desafio de levantar os azulinos da situação em que se encontravam.

Sem jogadores, indicou peças que, de início, pareciam duvidosas. Entretanto, era de se entender que, com problemas financeiros, o Remo não tinha como trazer jogadores conhecidos nacionalmente. Montou um grupo que conseguiu empolgar pela velocidade no meio-campo e jogando sem a necessidade de um atacante de área. O ápice de Comelli no time foi a vitória contra o Paysandu. Pronto, Comelli cai nas graças do Fenômeno Azul.

Entretanto, o momento bom do comandante foi interrompido nas semifinais do primeiro turno. O Leão foi goleado para o Cametá e, dentro de casa, não passou de um empate. Comelli sabia que o clube precisava logo da conquista da primeira metade do Parazão para garantir vaga à Série D e ter calendário para o segundo semestre.

A partir daí, começava o ‘inferno’ para o técnico. A especulação da sua demissão era constante mas, centrado, continuou o seu trabalho, indicou reforços e a equipe se recuperou no campeonato. Apesar do resultado ruim logo na abertura do segundo turno, o time azulino cresceu e chega para o Re-Pa como favorito pela consistência que a equipe conseguiu nas últimas rodadas.

Para Jorge Luiz Rodrigues, setorista do Remo pelo DIÁRIO, Paulo Comelli tem a confiança da diretoria e atletas porque não tem medo de ousar. “Ele tem preferência por um time ofensivo. No primeiro turno do Parazão, mesmo atuando com três volantes, a equipe já era bastante ofensiva. Com a chegada de reforços, então, o treinador pôde alterar a formação para o 4-4-2, mas sem perder a postura agressiva dentro de campo. Fora das quatro linhas, Comelli não foge às perguntas, assume suas responsabilidades, além de defender a força do grupo que possui”, avalia.

Agora, o treinador do Remo terá que conseguir conter a euforia dos seus jogadores e da torcida, que acredita em uma vitória no Re-Pa do final de semana. Estrategista, o técnico já montou o seu time e ainda tem peças no banco de reservas que pode desequilibrar a favor do Leão Azul paraense. (Gustavo Pêna, DOL)

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