Após retornar de uma missão na província de Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo, Gilles Fagninou, diretor do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), fez um alerta preocupante para a África Ocidental e Central.
Segundo ele, "o vírus do Ebola evolui muito rapidamente e propaga-se muito rapidamente." Fagninou afirmou que a epidemia desenvolve-se numa região assolada por outros problemas de saúde, como "questões relacionadas à cólera, a poliomielite e até mesmo problemas simples como o acesso das mulheres às maternidades para o parto".
Diante da escassez de recursos enfrentada pelo sistema de saúde, Gilles Fagninou defendeu que o combate ao ebola seja reforçado, mas sem comprometer o atendimento às demais necessidades sanitárias da população. Para o representante da Unicef, é fundamental manter os serviços essenciais de saúde funcionando paralelamente às ações de contenção da doença.
Como exemplo, ele destacou a queda no número de partos realizados nas unidades de saúde da província de Ituri. Antes do avanço da epidemia, eram registrados cerca de 130 partos por mês. Atualmente, esse número caiu para aproximadamente 30, refletindo o impacto da crise sobre o acesso da população aos serviços básicos de saúde.
"Existe uma crise de confiança entre as comunidades e os centros de saúde. Há o Ébola e temos de concentrar os esforços nisso, mas também há as doenças tradicionais que matam as crianças", referiu.
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Entenda
Em maio deste ano, a República Democrática do Congo decalrou a epidemia de Ebola no país. Causada pelo vírus Bundibugyo, não existe vacina e nem tratamento para a doença.
Ainda não se sabe a verdadeira dimensão da epidemia, mas autoridades sanitárias do país temem que a doença se prolongue e se alastre por outras regiões do país.
Até o momento, segundo informações divulgadas pelos órgãos de saúde do Congo, a doença já infectou 1.972 pessoas e causou 625 mortes.
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