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ESPORTE PARÁ

Especialista avalia a violência no Parazão 2012

Um dos destaques do Campeonato Paraense 2012 tem sido a violência nos gramados. Por duas ocasiões – Águia e Remo; e Independente Tucuruí e São Raimundo -, alguns jogadores e comissão técnica se enfrentaram em campo. Estes fatos lamentáveis podem ter acont

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Um dos destaques do Campeonato Paraense 2012 tem sido a violência nos gramados. Por duas ocasiões – Águia e Remo; e Independente Tucuruí e São Raimundo -, alguns jogadores e comissão técnica se enfrentaram em campo. Estes fatos lamentáveis podem ter acontecido por uma combinação de fatores, entre eles: alto nível de estresse; rivalidade; salários baixos e atrasados; além da falta de acompanhamento psicológico.

Violência no futebol chega ao Campeonato Paraense

RIVALIDADE

A psicologia esportiva e a neurociência têm pesquisas que apontam haver maior tensão e risco de violência em partidas onde exista muita rivalidade – como os clássicos – ou disputas por título.

“Na maioria das vezes o processamento de emoções fortes prejudica o funcionamento mais racional da mente humana e desencadeia respostas comportamentais impulsivas, dentre as quais podemos ter a agressão física e verbal. Em um estudo recente, verificamos que estímulos visuais associados ao time rival podem desencadear reações relacionadas a vias neurais de aversão. Quando temos mais valores associados (como título, prêmio, status etc.), temos também mais emoções em jogo”, explica o especialista em psicologia esportiva e doutor em Neurociência, Erick Conde.

A briga generalizada no jogo entre Águia e Remo, pelas semifinais do primeiro turno do Parazão, pode ser explicada pelos estudos citados pelo Dr. Conde. Naquele jogo, o Remo perdeu chance de disputar a final, e ficou mais difícil a conquista da vaga no Campeonato Brasileiro da série D. Era um jogo de muito significado para as equipes remista e aguiana.

Enquete: De quem é a culpa pela violência no Campeonato Paraense 2012?

SALÁRIOS BAIXOS E ATRASADOS

Sem clubes na primeira e segunda divisão do Campeonato brasileiro de futebol e mal organizados administrativamente, as equipes do futebol paraense não recebem grandes patrocínios e não sabem explorar suas marcas. Assim, temos um campeonato pobre, sem muitos recursos para bancar bons salários e mantê-los em dia, medidas fundamentais para dar tranquilidade aos jogadores de futebol, que também precisam sustentar suas famílias.

“(O salário) é a base da pirâmide motivacional, e está relacionado à garantia da sobrevivência humana, pois é o salário que vai colocar em casa o básico para a sobrevivência da família. A chance de se receber melhor e ter patrocínios é mais alta com bons resultados em campo. Assim, quando algo ameaça esses aspectos, o organismo pode reagir com violência e agressão em alguns casos” analisa Érick Conde.

Leia também: FPF tem atuação limitada nas confusões em campo

FALTA DE ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGIO

Os problemas de estrutura não ficam só nos baixos salários. Faltam recursos para a formação, desenvolvimento e acompanhamento dos jovens e antigos jogadores.

Enquanto os clubes grandes e mais organizados do país contam com centro de treinamento, equipe médica completa e bons salários, os grandes do Pará – Remo e Paysandu –, não possuem nem mesmo um psicológo para fazer o tratamento de seus atletas.

“O trabalho do psicólogo é essencial na promoção de equilíbrio e saúde mental. O esporte faz com que os atletas sejam submetidos a situações de grande estresse e cobrança excessiva. O mínimo que se pode esperar como retorno é a assistência psicológica”, afirma Conde.

O Pará pode ter uma das torcidas mais apaixonadas do país – no último final de semana, o público do clássico Re-Pa foi o maior do país, superando o Corinthians e Palmeiras -, mas nossos clubes devem continuar disputando as últimas divisões do futebol brasileiro enquanto não houver profissionalismo dos dirigentes e maior estrutura para a formação das equipes.

Ouça a entrevista com o comentarista e narrador da Rádio Clube do Pará, Jones Tavares: "O TJD não está punindo quem deveria"

(Felipe Melo/DOL)

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