No jogo de ontem (4) entre Paysandu e Sport Recife, mais uma vez as torcidas organizadas protagonizaram cenas que não condizem com o espetáculo do futebol. As arquibancadas do Mangueirão foram palco para a violência entre a Torcida Jovem do Sport, com contribuição de torcedores da “Remista” – antiga Remoçada -, e os torcedores da Bicolor, ex-Terror Bicolor.
Para explicar a posição da Polícia Militar do Pará e suas táticas para solucionar o problema da violência entre as torcidas, o DOL fez uma entrevista exclusiva com o tenente coronel Hilton Benigno, responsável pelo efetivo da PM no jogo de ontem.
DOL: Como foi a preparação da segurança para o jogo de ontem?
Tenente coronel Hilton Benigno: Nós fizemos o procedimento comum a todos os jogos que envolvem as torcidas de Remo e Paysandu. Reunimos com os dirigentes das torcidas “Remista”, “Bicolor” e do Sport Recife, e armamos um esquema de segurança para impedir a violência, que consistia em ter um lugar para a concentração das torcidas e acompanhamento policial para evitar problemas.
Nós também solicitamos aos dirigentes da torcida do Sport uma relação com o nome e RG de todos os “torcedores” que vieram para Belém, e permitimos que somente 15 integrantes da “Remista” fossem ao estádio.
E as exigências da PM foram cumpridas?
Ten. Cel. Benigno: Infelizmente não. Eles (a torcida do Sport) nos entregaram uma relação incompleta e quando chegamos na concentração, em um posto de gasolina atrás do Baenão, tinham mais de 100 pessoas da “Remista”, que supostamente iriam apoiar o time pernambucano no jogo, mas sabemos que foram para causar tumulto e baderna.
Eles chegaram a nos dizer que iriam entrar todos juntos - "Remista", "Bicolor" e torcida do Sport - no estádio para mostrar que estão unidos e contra a violência, mas descumpriram tudo. Na verdade eles não são torcedores, são marginais travestidos de torcedores.
Você acha que o contingente da PM foi insuficiente?
Ten. Cel. Benigno: Não! Nós tínhamos 252 policiais militares fazendo a segurança dos torcedores, contingente considerado normal para o número de ingressos que foram colocados à venda, que segundo nos informou o Paysandu, na semana passada, seriam 12 mil.
Agora estava claro que tinham mais de 20 mil pessoas no Mangueirão. Então se houve problema, foi de organização do Paysandu e não da nossa corporação.
Qual atitude a PM vai tomar para impedir a violência das torcidas organizadas?
Ten. Cel. Benigno: Vamos continuar fortalecendo a segurança nos dias dos jogos e fazendo trabalho de inteligência para identificar os envolvidos. Infelizmente nós não podemos extinguir as torcidas organizadas, pois não é da nossa competência. Mas a Secretaria de Segurança Pública (SEGUP) vai fazer uma reunião na próxima segunda-feira (9), quando vamos debater que ações a mais iremos tomar. A extinção das torcidas estará na nossa pauta de discussão, pois não podemos aceitar que todo o jogo exista violência, a sociedade já não aguenta mais.
Mas somente a extinção vai resolver o problema?
Ten. Cel. Benigno: Claro que não. É preciso que se cumpra o estatuto do torcedor. A lei pune as pessoas que vão para os estádios para causar baderna e desordem com penas de reclusão, multa e proibição de entrada e que fiquem próximos dos estádios em dias de jogo.
Como o nosso Estado é sempre alvo da ação dessas pessoas (torcidas organizadas), é urgente a criação de uma vara especial para o julgamento desses crimes. (Felipe Melo/DOL)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar